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Introdução ao Ayurveda

 

 MAHA BIJA CONSULTORIA EM AYURVEDA, YOGA E BEM VIVER

Flávia Maimoni Ribeiro- Terapeuta ayurvedica

INTRODUÇÃO AO AYURVEDA

Ayur significa vida e Veda é traduzido como conhecimento. Ayurveda é a ciência que nos ensina como viver a vida de forma saudável e plena, integrados com a nossa natureza em particular e com o mundo que nos cerca.

É um sistema de cura preventiva milenar que surgiu na Índia há mais de 5000 anos. Oferece todas as bases para uma vida equilibrada: métodos de desintoxicação do corpo e da mente, rejuvenescimento, alimentação e rotina apropriadas.

A terapia Ayurvedica se baseia no conceito de que tudo que existe no Universo é formado pela interação dos cinco elementos: éter, ar, fogo, terra e água. São eles que definem a nossa constituição original, nossas reações físicas, mentais e emocionais.

Nossa natureza (Prakruti)

Nossa verdadeira natureza é chamada de Prakruti, aquilo que somos, que herdamos de nossa linhagem genética, ou seja, a porcentagem ou combinação dos cinco elementos em nossa constituição. Como exemplo: uma pessoa que possui bastante fogo em sua constituição tende a ser mais “quente”, ter ações mais assertivas, espírito de liderança; uma pessoa que tem mais água em sua constituição tende a apresentar mais retenção de líquidos e gordura, ser mais chorona e sensível emocionalmente e assim por diante.

Nossa interação com o mundo externo, entretanto, faz com que algumas destas condições naturais originais ou de nascimento se alterem gerando desequilíbrios que produzem em maior escala o que chamamos de doença.

Vikruti é nossa constituição atual resultante de alterações que ocorrem quando sujeitamos nossa natureza à condições desfavoráveis, como: alterações de clima, mudanças culturais e na alimentação, hábitos desestruturantes, relações nocivas.

Para nos harmonizarmos com nossa natureza, devemos RECONHECER qual é nossa constituição original, interagindo com o mundo de acordo com as nossas necessidades e forma de expressão.

 

 Nossas necessidades naturais (Vegas)

Começamos pelas nossas necessidades básicas e essenciais. O Ayurveda nos diz que temos 13 necessidades que nunca devem ser suprimidas: urinar, evacuar, ejacular, eliminar gases, vomitar, espirrar, arrotar, bocejar, comer, beber, chorar, dormir, respirar, liberar emoções.

Quando bloqueamos o fluxo natural destas necessidades, ao segurar um espirro, engolir o choro, geramos tanto mal em nós que passamos a acumular toxinas que querem encontrar uma via natural de saída do corpo.

Fogo digestivo (Agni)

Na compreensão do Ayurveda: “nós não somos o que comemos, mas sim o que digerimos!”. E não nos alimentamos apenas de comida, mas também de impressões através dos cinco sentidos, como a luz do sol que é digerida pela pele e pelos olhos, o conhecimento que é digerido pelo intelecto…

Saúde existe quando tudo o que nos alimenta é digerido adequadamente e, o que não é necessário, é eliminado, pois o que não digerimos vira intoxicação.

Dentro do ayurveda, há uma representação de nossa força digestiva, chamada Agni, que é traduzido como fogo, aquele que governa as transformações e metabolismos do corpo. O Agni mantém: a temperatura corporal, o funcionamento do sistema imunológico, os impulsos de coragem, a alegria e entusiasmo de viver, a longevidade, o brilho e vigor, a clareza e o discernimento.

Portanto, mais do que uma simples capacidade de digerir, agni metaboliza o que vivemos. Transforma as situações adversas da vida física e emocional em energia.  No entanto, quando está alterado a saúde se deteriora.

Existe um ditado que diz: “Aquele que tem um bom agni pode comer veneno e metabolizar em néctar, aquele que tem um mau agni come néctar e metaboliza em veneno”.

Todos nós temos essa força digestiva, mas acontece que as pessoas são diferentes, e assim, o agni manifesta-se dentro delas de modo igualmente ímpar. Os fatores que indicam um agni equilibrado são: apetite regular, digestão processada de forma suave e natural, eliminações ocorrendo de forma regular, bom hálito e disposição.

Os fatores que apontam desequilíbrio no agni são: sensação de “empachamento”, de peso ou queimação após as refeições, desequilíbrios nas eliminações (diarréia ou constipação), gases, mau hálito, sensação de sono após as refeições, falta ou excesso de apetite.

Toxinas (Ama)

Ama é todo resíduo tóxico que se acumula no organismo. Ela é a toxina que obstrui nossa força vital sendo geradora de doenças.

 Os atributos de ama são: frio, pegajoso, oleoso, pesado, de odor desagradável. Se pensarmos neste instante em um alimento que tenha algumas destas características certamente ele é uma fonte geradora de ama.

As toxinas físicas (ama)são eliminadas do corpo através da urina, fezes, respiração e suor. Para se digerir ama já presente, é necessário aumentar o agni com uma dieta baseada em ervas e alimentos picantes e de potência quente. Jejuns e uma dieta de desintoxicação ayurvedica também são recomendados para digestão de ama. Em geral ama leva 15 dias para ser digerida.

 Existem também emoções que, quando não digeridas, levam a uma intoxicação. São elas: preocupação, tristeza, medo, raiva, ódio, aversão, ciúme, inveja. As toxinas emocionais são eliminadas através da elaboração e expressão das emoções, assunto este que será visto em Psicologia Ayurvedica.

 Na terapia ayurvedica aprenderemos a identificar a presença de toxinas através de uma observação da cobertura da língua, assunto este que será visto quando abordarmos a Rotina Diária.

Nossa imunidade (Ojas)

Ojas representa a nossa reserva de energia vital, a nossa resistência e imunidade tanto física quanto psicológica. Ele permite cada um resistir a estímulos estressantes, recuperar de doenças e manter a vitalidade em seu potencial máximo.

Existem dois tipos de Ojas: aquele que é herdado geneticamente (como se fosse um combustível que recebemos na vida, um tanque cheio de gasolina que vai se esvaziando com o passar do tempo e finaliza-se na morte); e aquele que produzimos pela nossa relação com a alimentação e cuidados com nosso corpo e vitalidade.

No Ayurveda todo tratamento visa incrementar, sustentar e fortalecer Ojas. Ajustar a maneira de estar no mundo é uma meta que ajuda na manutenção da vida e  longevidade.

Add comment abril 2nd, 2013

Dieta Detox Ayurvedica (dieta anti ama)

dieta

“Intoxicação” é o termo utilizado para descrever uma condição provocada por uma extensa lista de contaminantes químicos como metais e poluentes ambientais; pesticidas; químicos usados nas limpezas, álcool, tabaco, drogas, medicamentos, cosméticos, exposição excessiva ao sol, além de dietas ricas em alimentos ultraprocessados, gordura saturada e trans, excesso de sódio e açúcar, aditivos alimentares usados inadequadamente; e pelos radicais livres formados no funcionamento regular do nosso próprio metabolismo. Em pequenas quantidades, os radicais livres atuam positivamente como coadjuvantes do sistema imune. Porém, quando a produção de radicais livres excede as defesas do organismo, ocorre o estresse oxidativo que acelera o envelhecimento, com o consequente aumento da susceptibilidade e a incidência de doenças como o câncer, artrite, doenças cardiovasculares, diabetes e doenças renais. Ou seja, A nossa saúde depende, em grande parte, da habilidade do organismo em neutralizar eficientemente esses produtos tóxicos.
Todas as substâncias são tóxicas se a concentração for suficientemente alta. O nível de intoxicação varia de acordo com diversos fatores, como o tipo de substância ingerida, o nível de exposição a esta substância, a idade, o peso corpóreo, tabagismo, etc.…

O conceito de desintoxicação do organismo através da dieta tem sido adotado por culturas ancestrais como as indígenas, a hindu e a chinesa. Desintoxicar significa remover o caráter tóxico de uma substância. As vias de desintoxicação e eliminação no organismo humano são o fígado, os rins, o trato intestinal, os pulmões e a pele.
A dieta Detox é uma abordagem terapêutica natural não medicamentosa para eliminar toxinas e os seus efeitos nocivos, considerado o primeiro passo para restaurar o equilíbrio do organismo e despertar os mecanismos internos de auto-cura. O Detox é recomendado para a prevenção e tratamento de desequilíbrios de saúde em fase subclínica (assintomáticos ou com sintomas inespecíficos) ou no estágio precoce das patologias, e também para promover o rejuvenescimento.

São considerados sintomas de intoxicação:
• Indigestão, inapetência (falta de fome e apetite), alterações no paladar
• Sensação de peso, fadiga, letargia e cansaço após as refeições
• Cansaço excessivo sem causa aparente
• Eructação e flatulência (gases) excessivos
• Mau hálito ou odor corporal desagradável, suor excessivo
• Constipação ou irregularidade nas excreções, alteração na consistência das fezes que se torna pesada, pegajosa e/ou com presença de alimentos
• Cobertura esbranquiçada ou amarelada na língua
• Febre
• Presença de muco excessivo
• Ressecamento da pele
• Letargia, lentidão, apego, mágoa, preguiça. Sonolência em excesso, dificuldade de acordar pela manhã
• Inchaço e edema (retenção de líquidos)
• Aumento da suscetibilidade às doenças infecciosas
• Dor de cabeça
• Dores musculares

O objetivo da Dieta Desintoxicante Ayurvedica (anti ama) é a manutenção da saúde e o rejuvenescimento resultante do fortalecimento da potência digestiva e da desintoxicação. O seu mecanismo de ação é a restrição da exposição a substâncias tóxicas, aliada à ingestão de alimentos vegetais e especiarias ricos em vitaminas, minerais e fitoquímicos, além da hidratação adequada, descanso, meditação e prática de atividade física leve.

A sua prática deve trazer sensação de leveza, de bem estar físico e emocional, bom humor, disposição e vitalidade, melhora do humor, memória e raciocínio, a regularização das funções digestivas incluindo as eliminações, o fortalecimento dos sentidos do paladar e olfato, a aquisição de hábitos saudáveis e a liberação dos condicionamentos nocivos. É habitual que ocorra a eliminação da água em excesso e a diminuição de gorduras que se acumulam em algumas partes do corpo devido à obstrução dos canais que as alimentam. A maioria das pessoas que praticam essa dieta emagrece como consequência do equilíbrio alcançado pelo organismo. Porém, em alguns casos isso não ocorre.

A Dieta Desintoxicante Ayurvedica é branda, variada, colorida, cheia de frescor e energia. Todos os grupos de alimentos devem ser utilizados formando refeições variadas e coloridas com cereais e tubérculos, leguminosas, hortaliças e frutas, proteínas, laticínios (iogurte na forma de Lassis digestivos), óleos saudáveis, açúcares naturais e especiarias, com preferência para os alimentos orgânicos, da estação e da região. São priorizados os alimentos leves, frescos, de fácil desagregação e digestão.
O cardápio contempla os 6 sabores doce, salgado, ácido, picante, amargo e adstringente e fornece quantidades regulares de carboidratos, proteínas e lipídeos (normoglicídico, normoprotéico e normolipídico).
A alimentação deve atender à fome real sinalizada pelo estômago e não à vontade de comer emitida pelo cérebro. A potência digestiva individual (agni) deve ser respeitada, portanto, essa dieta não é pautada no valor energético oferecido (calorias) e sim na qualidade e variedade dos alimentos, assim como na correta combinação e preparo das refeições, respeitando-se a fome e a saciedade.
O fracionamento recomendado é de até 6 refeições de pequenos volumes para evitar que se sinta fome excessiva e o mal estar causado pela hipoglicemia (baixo nível de glicose na corrente sanguínea) comum nas dietas muito restritas e nos jejuns.
Em geral, no horário do almoço o apetite é mais forte. É quando devemos comer mais quantidade de preparações mais sólidas incluindo as proteínas.
Com baixo apetite, não se deve fazer jejum absoluto, mas, ingerir sopas leves (com consistência de canja), vegetais cozidos, papa de arroz, mingau ou preparações semissólidas.
Alguns alimentos com alto potencial alergênico devem ser evitados como os cogumelos, o leite (de vaca, cabra ou búfala), a soja e derivados como o tofu e o molho shoyu. Outros alimentos a serem evitados são: carnes, chocolate, achocolatados, sorvete, tortas e bolos, frituras de imersão, vinagre, condimentos artificiais, molhos cremosos, café (permitido até 1 dose), refrigerantes, bebidas gasosas ou geladas, alimentos artificiais, excessivamente processados, junk e fast food, enlatados, refinados, embutidos, congelados, transgênicos, irradiados ou cozidos em microondas, excessivamente cozidos, envelhecidos.
As preparações devem ser consumidas mornas e os alimentos crus e/ou refrigerados serão evitados. As frutas, legumes e vegetais serão abrandados, ou seja, levemente cozidos no vapor ou água, grelhados ou assados, de acordo com a sua preferência.
É recomendado desenvolver a habilidade de cozinhar com prazer (pelo menos o básico) e ter bons utensílios, que pouparão o tempo de preparo das refeições. Os utensílios devem ser de tamanho moderado e de boa qualidade. As panelas mais recomendadas são de aço inox, vidro, ferro, ágata ou pedra. O uso do microondas deve ser evitado.
Deve-se consumir as refeições em horários regulares para favorecer um ritmo mais eficiente de digestão. A pressa, o estresse, a raiva, a frustração, o medo, assim como os ambientes muito perturbados, reduzem a potência digestiva e podem provocar inflamações no sistema digestivo. Um ritmo calmo de mastigação favorece a digestão. Os talheres podem descansar sobre a mesa durante a mastigação. Reuniões profissionais devem ser evitadas às refeições, principalmente no período da dieta.
Do ponto de vista energético, focar a atenção nas refeições conectará os sentidos do paladar, visão e olfato com a digestão, trazendo sensação de prazer e saciedade.

A Dieta Desintoxicante Ayurvedica é oferecida no Prãna Spa Ayurvedico, em Campos do Jordão. Para saber mais, acesse: www.pranaspa.com.br

Add comment janeiro 29th, 2013

Especiarias – Sabores, Aromas e Saúde

Queridos amigos. Na próxima semana teremos na Cítara a apresentação com a terapeuta ayurvedica e culinarista Marise Berg sobre o uso das especiarias para enriquecer a dieta com novos sabores, aromas e saúde.

Venham todos mas não deixem de se inscrever antecipadamente porque as vagas são limitadas. Até lá.

Apresentação e degustação

Quarta, 31 de Agosto das 16 às 18 h

Cítara Saúde
R: Padre João Gonçalves, 129
Vila Madalena
Tel: 3814-0700

Add comment agosto 23rd, 2011

Outono a caminho

Por Marise Berg

Segundo o Ayurveda, somos o microcosmo que reflete o macrocosmo e devemos adaptar a nossa rotina às variações climáticas e sazonais, pois elas exercem grande influência sobre os doshas.

Os períodos intersazonais são chamados de rutu sandhi, e correspondem aos 7 dias no fim e no começo das estações. Nesse intervalo, o regime alimentar correspondente à estação anterior deve ser descontinuado gradativamente e um novo regime deve ser adotado suavemente. A descontinuação repentina ou a brusca adoção de uma nova dieta pode provocar o surgimento de desequilíbrios, decorrente da não adaptação à mudança de hábito (asatmya). O inverso, a persistência de um mesmo hábito alimentar, indiferente das variações sazonais, pode gerar o agravamento dos doshas, pela incompatibilidade da dieta com o clima vigente.

 A transição do Verão para o Outono substituirá o clima intensamente quente e úmido pelo calor suave, vento e a secura até meados de Abril, quando a temperatura começará a baixar. Os atributos da nova estação influenciam fortemente a energia Vata em todas as pessoas podendo gerar constipação intestinal, ressecamento da pele, unhas e cabelos, dores articulares, rouquidão, insônia, ansiedade, medo e nervosismo, além da redução ou instabilidade do apetite.

A dieta é uma ferramenta importantíssima para reequilibrar o sistema tridosha quando este é afetado pelas variações climáticas.  

Nesse período recomenda-se de modo geral uma dieta quente, medianamente pesada, umedecida e nutritiva com predomínio de alimentos cozidos, untuosos (com adição de óleos saudáveis como o azeite de oliva), ingestão de líquidos mornos (chás e sucos cozidos), abundante em cereais como a aveia, laticínios (com temperos), frutas oleaginosas (com moderação). As refeições devem ser freqüentes, em pequena quantidade e regulares. Não deve haver mistura de muitos alimentos na mesma refeição, mas, variedade entre uma refeição e outra. Devem-se usar temperos picantes, mas suaves (açafrão, cardamomo, cebola cozida, coentro, cominho, endro, erva-doce, funcho, gengibre em pó), e sal.

As massagens ayurvedicas combinadas com sauna a vapor são recomendadas pela aplicação dos óleos corporais em temperatura morna, que mantém a nutrição da pele, cabelos e unhas. Outros benefícios são a estimulação da circulação, o relaxamento da musculatura e do sistema nervoso, aliviando os sintomas do estresse.

Add comment março 2nd, 2011

Ayurveda para mulheres

Por Dra. Adriana Bennazi PIranda

MENSTRUAÇÃO E AYURVEDA

O ciclo menstrual está submetido à poderosa influência dos doshas. A primeira fase do ciclo menstrual ocorre o predomínio do hormônio feminino estrogênio, que em muitos aspectos é um hormônio do tipo Kapha, sendo este dosha que aumenta nesta fase. Esta fase é chamada fase folicular, onde o organismo estimula a produção de folículos nos ovários, onde ocorrerá a ovulação, onde ocorre o pico máximo de produção do estrogênio. O corpo oferta ao útero os melhores nutrientes de que dispõe a fim de prepará-lo para uma possível gravidez.

Após a ovulação ocorre o predomínio do hormônio progesterona, que se assemelha mais a Pitta. É a fase secretória, que vai desde a ovulação até a menstruação seguinte. Portanto é Pitta que predomina no corpo feminino no período pré-menstrual.

Durante a menstruação há o predomínio do dosha Vata, que é o responsável pelos transportes do corpo, pelo movimento, portanto rege o fluxo menstrual e o transporte do sangue para fora do corpo feminino.

Em sânscrito o termo genérico para o ciclo menstrual, menstruação e substâncias relacionadas à estes é astava , palavra que deriva de rtu, que significa estação.

A Ayurveda nos ensina que as mudanças de estação nos deixa mais suscetíveis a enfermidades. São momentos de transformações de uma estação em outra, de uma fase em outra. Sempre que nosso entorno muda, seja interior ou exterior, nosso organismo deve mudar, se adaptando às novas características vigentes. Se ocorrer uma má adaptação, então haverá a possibilidade de enfermidade. A menarca (1ª menstruação) e a menopausa são momentos com estas características da vida da mulher, assim como a ovulação e a menstruação marcam o ciclo menstrual.

Todos os meses corpo e mente femininos têm a oportunidade de purificar-se com a menstruação. Para que possam gerar filhos saudáveis, as mulheres realizam esta limpeza natural periódica.  A Natureza não espera que todos os meses a mulher engravide, mas sim que elimine toxinas. É como uma oportunidade que a mulher tem de se colocar em contato com seus fluxos, sua criatividade, seus movimentos, ciclos, que a levam a suas raízes. Um estado de criatividade que só possuem as mulheres! Com liberdade para utilizar esta capacidade criativa como melhor lhe convenha: para si mesma ou para os outros, para  produzir ou para reparar, para criar ou para procriar. Fazer valer este poder com a finalidade de ajudar aos demais, o que contribui para nutrir seu próprio potencial criativo. Estes são esforços da natureza a fim de ajudar e também sanar, que não se deve deixar de lado, pois poderão gerar bloqueios  que se manifestam com transtornos do fluxo menstrual.  

A menstruação mobiliza os resíduos , toxinas e ama do sangue, mas o resultado deste evento dependerá de como ocorra o alinhamento entre a mulher e seus fluxos.

Esta purificação fica a cargo do apana. Se ocorrer uma obstrução, ama não eliminado pode se espalhar pelo corpo, provocando cistos de ovário, miomas, vaginites endometriose e outros. Este movimento descendente contribui para renovar o vínculo com o útero materno e com o elemento terra além de reativa a capacidade de receber energia que provém deste elemento.

O organismo para executar sua fertilidade  deve ser comparado a um campo a ser semeado. Devemos pensar na estação do ano, no próprio campo, na semente e no cultivo.  O corpo é a estação do ano. O campo, os órgãos reprodutores. A semente seria o óvulo. O cultivo engloba diversos aspectos: o sangue, os hormônios, outras secreções, tudo que nutre o óvulo e fertilizam o campo.

            Uma infinidade de sintomas atribuídos à TPM( tensão pré-menstrual) são na verdade desequilíbrios do organismo como um todo, exacerbados no período peri menstrual.

Ter uma determinada constituição não implica em concluir que os desequilíbrios serão exclusivos desta constituição. Uma mulher de constituição Pitta pode desenvolver um desequilíbrio Vata, basta exagerar na obstinação pelo trabalho ou em outras questões, mesmo que sejam para diversão. O ciclo menstrual de uamá mulher pode variar, dependendo não só de sua constituição, que pode ser bi ou tridosha, mas também com os fatores de clima, estação do ano, alimentação, relação com o trabalho,  hábitos de vida etc.

CICLOS MENTRUAIS NOS DIFERENTES BIOTIPOS

Vata: possui ciclos irregulares que tendem a ser mais do que o mês. O fluxo em geral é escasso, fluido ou escuro e muitas vezes acompanhado de coágulos. São freqüentes os escapes e cólicas menstruais. O abdome é rígido e tenso, pode ocorrer prisão de ventre no início do fluxo ou até mesmo antes dele.

No aspecto emocional ocorre labilidade de humor e sentimentos, assim como ansiedade e nervosismo. A insônia e o sono entrecortado são mais freqüentes.

Mulheres que realizam muitos exercícios físicos podem emagrecer tanto que deixam de menstruar por uma agravação do dosha vata.

Pitta: possui ciclos regulares com intervalos um pouco menores do que um mês. O sangramento é abundante e prolongado, além de ter coloração vermelho-vivo brilhante. Mas também pode ter um tom azulado, amarelado ou preto. A sensação de calor é freqüente e as cólicas são de média intensidade. O intestino funciona mais vezes um pouco antes da menstruação ou durante. Mulheres magras com tom de pele amarelado costumam ter o fluxo reduzido.

No aspecto emocional ocorre maior irritabilidade, grande ansiedade por comida e sensação de excesso de calor no corpo e na mente. Este biotipo tende a ter mais acne, brotoejas e outras manifestações de pele neste período. Por isso não é um bom período para depilação. Nestas mulheres a dor de cabeça é mais freqüente que nos outros biótipos como também as secreções vaginais.       

Kapha : O ciclo costuma ser bastante regular e o fluxo de media quantidade, pálido e viscoso. A presença de desequilíbrio deste dosha pode produzir cólicas.  É grande a propensão a reter líquidos, dores mamárias, distensão abdominal( retém líquidos nas alças intestinais) com aumento de peso. A digestão é lenta, como sabemos e letárgica. Embotamento e até quadros de depressão predominam no emocional.  Estas mulheres têm candidíase vaginal no período pré-menstrual. Outra queixa é a sensação de peso nas pernas, dores nas costas e até certa rigidez.

Os três doshas trabalham juntos para criar o ciclo feminino e os três podem “conspirar” para complicá-lo.  A auto observação é de grande importância para mudanças destes estados patológicos. Cuidados simples como: alimentação sem aditivos químicos; evitar álcool, sal, açúcar, carne e cafeína em excesso; cuidar do agni para ter sempre uma boa capacidade digestiva; manter exercícios físicos regulares; descansar após situações extenuantes como excesso de trabalho, sexo, exercícios físicos etc.; questões ambientais nocivas que hiperestimulam nossos sentidos (audição, visão,paladar, olfato e tato)causarão desgastes desencadeando desequilíbrios .

Os fatores causais contribuem para desequilibrar os doshas, portanto a correção destes  auxiliam na no retorno ao bem estar.

 

 

 

Bibliografia : AYURVEDA para las mujeres. Svoboda, Robert. Ed Kairós.

Add comment fevereiro 17th, 2011

O iogurte e a saúde

Por Dra. Maísa Misiara e Marise Berg

Para a tradição hindu, as vacas são animais divinos, as “mães sagradas” que transformam as plantas e vegetais em leite nutritivo. O iogurte, sendo um laticínio, é considerado pela Ayurveda um alimento sattwico, um néctar para o organismo humano. Ele atua com efeito tônico sobre todos os tecidos e fortalece o sistema imunológico. Em quantidade adequada, estimula a digestão e restabelece a flora intestinal, incrementando a assimilação de diversos nutrientes pelo intestino. É nutritivo, digestivo, estimulante e adstringente. Nele predominam os sabores doce e ácido, a sua energia é fria e é pesado para a digestão.

Seu aspecto ácido, porém, implica em restrições para o seu consumo. É recomendável ingeri-lo em pequena quantidade e adicionando especiarias digestivas como o gengibre e cominho. Além disso, o iogurte não é compatível com frutas ácidas – morango, inclusive – melões, carne, peixe, manga, amido, queijo. É contra-indicado em caso de constipação e de desequilíbrios na pele, como acne e psoríase, e não deve ser consumido à noite (após o pôr-do-sol).  

O consumo excessivo de iogurte pode causar obstrução dos canais, constipação, muco, bile, acidez excessiva no sangue, congestão, acúmulo de gordura e retenção de líquidos. A ingestão de meio copo de iogurte por dia é ideal para qualquer dosha. Para neutralizar as suas propriedades obstrutivas, deve-se prepará-lo diluído em água e adicionando especiarias. Esse preparado, chamado buttermilk (iogurte lavado), atua beneficamente em casos de anorexia, desnutrição, má absorção e diarréia. Limpa os nadis, canais sutis de energia, aumenta o apetite, reduz a fadiga mental, suplementa o cálcio. Pode ser consumido diariamente por todos os doshas inclusive em casos de acidez no sistema digestivo.

Aprenda a preparar um buttermilk saboroso:

Iogurte fresco (quanto ais fresco, menos ácido) – 1 parte ;

Água – 3 partes

 Adicione gengibre fresco (um pedaço de 1 cm para cada copo); água de rosas (encontrada em qualquer lojas de produtos naturais);

Cardamomo em pó; folhas de hortelã frescas;  mel (para kapha ou pitta) ou açúcar mascavo (para vata) a gosto.

Bata todos os ingredientes no liquidificador e coe retirando a espuma que se formará na superfície.

Sirva fresco.

Add comment janeiro 31st, 2011

Desvendando o Panchakarma

Entrevista com a Dra. Maísa Misiara – idealizadora da Clínica Cítara Saúde

1 – Panchakarma: qual é a tradução literal dessa palavra e qual o sentido do tratamento (melhor usar a palavra “processo”) dentro da filosofia ayurvedica?

Panchakarma palavra sânscrita que significa literalmente cinco ações é um tratamento que tem sua origem no Ayurveda, medicina milenar, sistema de tratamento vigente na Índia e que se originou nos Vedas,um dos registros mais antigos do conhecimento da humanidade.

Podemos traduzi-la como Cinco Processos a serem realizados com o objetivo de prevenção ou cura de doenças por meio da redução (eliminação de toxinas) e tonificação dos tecidos, restabelecendo o equilíbrio físico e emocional.

O sentido desse tratamento que a antiga Sabedoria dessa medicina nos ensina é que, como premissa, devemos antes desintoxicar nosso corpo e nossa mente, para depois nutri-los com perfeição. Limpo, nosso organismo consegue absorver os nutrientes e vitaminas que lhe são oferecidos e que, em caso contrário só aumentariam sua intoxicação e desequilíbrio.

2 – Os chamados tratamentos “detox” têm sido bastante criticados nos últimos tempos, ora apontados como inócuos, ora acusados como prejudiciais à saúde, por conta de inúmeros efeitos colaterais. De que forma o Panchakarma se coloca (ou se distingue) dos outros tratamentos detox?

O Panchakarma é mais do que um tratamento “detox”.

A grande crítica aos tratamentos de “detox”, que estão se popularizando rapidamente, é que eles levam à desvitalização dos tecidos do nosso organismo, pela retirada pouco cautelosa e indiscriminada de seus elementos tóxicos e também não tóxicos, sem o cuidado em avaliar seu limite, prepará-lo e subseqüentemente, nutri-lo adequadamente.

O Panchakarma difere destes tratamentos, pois além de eliminar as toxinas, nutre e tonifica imediatamente o organismo, restaurando a vitalidade dos órgãos, a jovialidade emocional, o rejuvenescimento de dentro para fora num sentido amplo e não meramente estético.

3 – Como é (na prática)? São cinco etapas, certo? A pessoa deve seguir uma dieta específica, quais são os óleos e ervas ingeridos ao longo do processo e que reações eles provocam?

Os cinco processos tradicionais são:

Vamana ou vômito terapêutico (elimina as toxinas acumuladas no estômago)

Virechana ou diarréia terapêutica (elimina as toxinas acumuladas no fígado e intestino delgado)

Basti, para limpeza intestinal

Nasya, tratamento através das narinas (a porta de entrada do cérebro), que limpa os seios da face.

Rakta mokshana, limpeza do sangue

Na prática é realizado o diagnóstico para definir qual o tratamento mais adequado e que respeita a totalidade do indivíduo. Avalia-se a possibilidade de uma patologia instalada, além das características psicofísicas da pessoa. A idade, clima onde mora, resistência, estação do ano são também levados em consideração.

Cada paciente terá uma recomendação individual de acordo com esse conjunto de dados e, não necessariamente será submetido aos cinco processos de limpeza.

Entretanto há algumas etapas que são comuns aos tratamentos:

– A pessoa deve seguir uma dieta preparatória de desintoxicação, que aumenta o “fogo digestivo”, ou seja, aumenta a capacidade do corpo de metabolizar as toxinas acumuladas e o prepara para a etapa seguinte.

– São aplicadas massagens ayurvedicas para a mobilização de toxinas que estão presas nos tecidos e sua condução para as vias de eliminação naturais.

– Nutrição e Revitalização – Uma vez desintoxicado, começa o verdadeiro tratamento de saúde. Desenvolve-se nesta etapa, uma nova rotina diária que inclui: orientação alimentar adequada à constituição individual, práticas de respiração (pranayamas), e práticas físicas (yoga).

A escolha de ervas e óleos também é individual e decorrente daquele levantamento e diagnóstico feito pelo médico. Por exemplo: óleos como o de gergelim puro, que é extremamente nutritivo para quem está desvitalizado; óleo de côco, mostarda, combinados com óleos essenciais como, lavanda, gerânio.

Ervas medicinais que têm efeitos tônico, nutritivo e imunizantes.

As reações de um Panchakarma corretamente administrado são: sensação de leveza, paz, bem estar, agilidade, calma, disposição, alegria, bom humor, vitalidade.

Porém de acordo com o grau de intoxicação que a pessoa tenha, podem ocorrer reações como enjôos, desarranjos leves gastrointestinais, tonturas; reações que são passageiras e previsíveis. Por isso mesmo, esse tratamento deve ser prescrito e acompanhado por um médico experiente em Ayurveda..

4 – A promessa é de emagrecer e eliminar toxinas – que toxinas são as que o corpo elimina e de que forma? Quanto ao emagrecimento, o detox provoca perda de gordura ou trata-se de uma redução de medidas (através da eliminação de água, por exemplo)?

A promessa desse tratamento é a de limpar os tecidos e revitalizar, o que é sinônimo de eliminar a água em excesso e diminuir gorduras que se acumulam em algumas partes do corpo devido à obstrução dos canais que as alimentam. A maioria das pessoas que fazem o tratamento de fato emagrecem, como conseqüência do equilíbrio alcançado pelodo organismo. Porém, em alguns casos isso não ocorre.

Seria um erro, buscar tal tratamento primordialmente pela expectativa de emagrecer. O correto é procurá-lo pelo benefício de revitalização e saúde que conduz ao verdadeiro rejuvenescimento.

O Panchakarma ajuda a eliminar as toxinas que são acumuladas pela ingestão de alimentos que contêm agrotóxicos, como o arsênico nos herbicidas e pesticidas; o chumbo contido na fumaça dos caminhões e tintura dos cabelos; o cádmio na fumaça dos cigarros; o mercúrio nas águas que bebemos; o uso abusivo de remédios, quimioterápicos, os contrastes utilizados nos tratamentos médicos, somam uma quantidade de toxinas heroicamente toleradas pelo nosso organismo. Irritamo-nos pelo excesso de estímulos, trabalhamos em demasia, corremos contra o tempo, competimos, vivemos o hábito do excesso, que também geram toxinas.

5 – Todo mundo pode fazer? As reações ao Panchakarma são iguais? Funciona mais em casos assim ou assado?

Nem todo mundo pode submeter-se ao Panchakarma. Existem restrições e contra-indicações: na gravidez, imediatamente após o parto, em idosos debilitados, crianças, pessoas com anemia severa, e em algumas doenças graves.

As reações ao tratamento variam de pessoa a pessoa, entretanto, são particularmente eficazes em casos de obesidade, diabetes, hipertensão, dores articulares, distúrbios metabólicos.

6 – A idéia é reequilibrar o sistema bioenergético e restaurar o metabolismo de cada um, purificando o corpo e a mente. De que forma (quais os sintomas) um corpo intoxicado se reflete em problemas emocionais e de saúde também?

Se o corpo está intoxicado, não temos vitalidade e resistência para seguir a vida. A má digestão, insônia, gases, sensação de queimação, retenção de líquidos pioram a disposição psíquica.

Por outro lado, condições psíquicas tais como a dispersão, medo, insegurança, raiva, letargia, depressão, por sua vez agravam os incômodos orgânicos.

Com a mente obscurecida não temos clareza para fazermos as escolhas certas e transformá-las em atitudes que nos permita viver uma vida plena.

Esse círculo vicioso pode ser interrompido com o tratamento ayurvedico.

7 – Parece que o Panchakarma tem fãs famosos, como Madonna. O tratamento é caro?

Na Índia, o Ayurveda é um sistema de medicina convencional praticado na rede hospitalar pública e em hospitais universitários. Esse sistema é acessível a toda a população, principalmente às camadas mais baixas.

No Brasil ainda está restrito à rede particular, porém seu custo é perfeitamente acessível à classe média. O tratamento é aparentemente mais caro do que um tratamento convencional, porque exige a intervenção de uma série de profissionais especializados: o médico, o terapêuta que aplicará os procedimentos e as massagem, o especialista em nutrição, e a prática de Yoga que é recomendada. Mas o custo benefício é altamente compensador, pois diminui a dependência de remédios e hospitais.

A Ayurveda já conhecida há algum tempo no Ocidente, está se popularizando rapidamente depois que famosos a adotaram.

O que os ocidentais estão descobrindo é algo que milhões de pessoas na Índia já sabem há muito: o tratamento funciona e traz saúde.

Dra Maisa Misiara, clínica geral, especialista em Homeopatia e Ayurveda, idealizadora da Clínica Cítara Saúde; Docente do Instituto de Cultura e Escola de Homeopatia.

1 comment janeiro 17th, 2011

Santo gengibre

Por Marise Berg

Tenho visto que muitas culturas reconhecem o Gengibre como uma especiaria terapêutica de alta eficácia.

Pra Ayurveda ele é imbatível pois melhora a potência digestiva, elimina toxinas, absorve fluidos dos intestinos, aumenta o calor corporal, alivia dores e congestões.

Suas principais ações biomédicas são: diaforético (promove o suor), expectorante, carminativo (elimina gases), antiespasmódico, antiemético (ameniza náuseas, enjôos e vômito) é emenagogo (limpa a bile).

O suco fresco melhora a circulação periférica, causando vasodilatação e suor limpando as toxinas do plasma e do sangue.

O pó seco é usado como antiinflamatório em artrites.

Nas duas formas ele ajuda a eliminar muco das vias respiratórias e pulmões.

Ao ser associado a outras ervas, melhora a absorção do organismo (também funciona ao ser associado com medicamentos alopáticos).

O suco fresco pode ser obtido espremendo na centrífuga ou ralando no ralador e espremendo num pano limpo ou colocando o sumo ralado numa peneira e espremendo com uma colher.

Em todos os casos deve-se deixar o suco decantar por umas duas horas. Você vai perceber uma “resina” no fundo do recipiente. Beba só o suco e não misture essa resina que pode irritar a mucosa do estômago.

Misture 3 colheres (sopa) desse suco com 3 colheres (sopa) de limão e 5 colheres (chá) de mel (Pitta ou Kapha) ou açúcar mascavo (Vata). Esse suco pode ser tomado ao longo do dia (colheradas de café) ou misturado à água morna para fazer chá. Serve tanto em caso de congestão respiratória como em falta de apetite, enjôos e para eliminar toxinas (consulte o terapeuta sobre a dosagem e período de ingestão).

O uso de Gengibre é contra indicado em caso de Pitta agravado, úlceras, gravidez (pode ser ingerido em doses controladas e com acompanhamento médico), pressão alta, refluxo, doenças inflamatórias na pele e em caso de pedra na vesícula.

Referência: Ayurvedic Medicine – Sebastian Pole.

Add comment dezembro 15th, 2010

Meditação: autocura e transcendência

Por Flávia Maimoni Ribeiro

Em Sikkim, nas montanhas do Himalaia, a uma temperatura de 4,4º C, monges budistas tibetanos altamente versados em uma prática meditativa chamada Tum-mo yoga foram enrolados com pesados cobertores completamente molhados. Três a cinco minutos depois de iniciarem suas práticas meditativas era visível a evaporação da gélida água, e em aproximadamente 45 minutos, a temperatura elevada de seus corpos tinha secado completamente todos os cobertores. Os mesmos monges foram capazes de repetir esta experiência por três vezes seguidas, sem que nenhuma delas tenha sido presenciada qualquer sensação de frio manifestada pelos monges. Estes monges foram conhecidos como “monges secadores de toalha”, por terem a capacidade de aumentar seus metabolismos com a técnica de meditação.

Em 1973, Kothari e sua equipe de cientistas pesquisaram um yogue de 70 anos, conhecido nas ruas da cidade de Udaipur, na Índia, por afirmar conseguir parar o seu coração. Satyamurti aceitou ficar confinado numa cela de 15 metros cúbicos, sendo totalmente monitorado por oito dias, sem comer nem beber, sentado em posição de lótus. No início do experimento seus batimentos cardíacos começaram a aumentar como se Satyamurti estivesse sofrendo uma taquicardia, mas sem que ele sofresse qualquer anormalidade no funcionamento de seu coração. Depois dessa taquicardia, a função cardíaca de Satyamurti foi tão reduzida que os instrumentos eletrocardiográficos não foram sensíveis o suficiente para detectar qualquer padrão elétrico. Supostamente seu “seu coração parou”, ou melhor, seu metabolismo diminuiu tanto que o eletro não conseguiu medir a atividade cardíaca e assim permaneceu por cinco dias.

 
Estes e outros experimentos abriram um leque de possibilidades de investigação a respeito da meditação, seus benefícios e de como o estudo da mente deveria ser mais aprofundado, como nós Ocidentais só estávamos enxergando “a ponta do iceberg” no que se trata de estudar a consciência humana.

Estes estudos, apesar de interessantes, podem assustar a maioria dos aspirantes à meditação ou faze-los desistir simplesmente pelo pensamento: “Ah, eu nunca vou conseguir fazer isto”. Entretanto, mais do que desenvolver habilidades mentais que transcendem a ciência, a meditação tem uma meta bem clara: ser uma via de transformação profunda da consciência, transformação esta que percorre os valores e a espiritualidade do ser humano.

Antes mesmo de definirmos meditação teremos que percorrer o caminho oposto, ou seja, descreveremos o que não é meditação, já que muitas confusões estão presentes no imaginário do senso comum. Alguns mitos que mais aparecem são:

• Meditar significa não pensar em nada. Como podemos pedir para que nossa mente fique em branco durante a meditação? Se eu falar para você agora não pensar em um macaco branco, isso é possível de acontecer? Quanto mais nos esforçamos em travar uma luta contra nossos pensamentos, mais eles dominam a nossa consciência. Existe um estágio no processo de meditação em que os pensamentos cessam, mas é um processo que ocorre em decorrência da prática persistente, do esforço e do desapego.

• Meditar significa fechar os olhos. Se esta fosse uma verdade, em todo momento de sono nós estaríamos meditando. Uma das formas de meditar é fechar os olhos para se reduzir os estímulos sensoriais, mas podemos também meditar caminhando, executando atividades com presença e concentração.

• Só os monges e yoguis conseguem meditar de verdade. Esta é uma crença que dificulta o ingresso de praticantes urbanos que pensam constantemente: “Isso não é para mim, sou muito agitado!”. A meditação é intrínseca à rotina dos monges, mas é possível desenvolver este hábito mesmo com a agenda lotada, filhos, tendência à agitação. Tudo é uma questão de prática e disciplina.

• “Meditar” é o mesmo que “refletir”. Aqui no Ocidente temos este costume de dizer: “Vá e medite sobre o que você fez hoje!”ou “Eu meditei sobre minha relação e conclui que…”. Mas, meditar não é ocupar a mente com pensamentos, reflexões e sim deixá-la livre para que ela possa primeiramente acompanhar seu curso e gradualmente reduzir suas flutuações/distrações.

Mas, afinal, o que é Meditação?
A meditação não é algo que se faça, ela já está pronta. É principalmente um estado de consciência que atingimos quando os cinco sentidos se aquietam, o intelecto gradualmente silencia, o coração assume um estado de paz inabalável e a serenidade mental surge. Este estado vêm e vai e conforme o tempo de prática e a persistência do meditador. Um mestre de yoga indiano chamado Iyengar, produz belamente em suas palavras o que acontece neste estado de meditação:

“Quando a mente alcança a alma e a ela se funde, a alma fica livre, permanecendo daí em diante em paz e em estado de beatitude. Se uma ave é mantida dentro de uma gaiola, não tem possibilidade de se movimentar. No momento em que a gaiola é aberta, a ave sai e ganha a sua liberdade. E o homem alcança a liberdade quando a mente se liberta do cativeiro do corpo e passa a repousar no colo da alma”.

Existem, basicamente, algumas formas de meditar, que variam de técnica a técnica. São elas:

 • Concentração: a mente focaliza em um objeto, som, foco específico até que este domine por completo a mente do meditador.
• Atentividade: A mente observa-se a si mesma em todas as situações (pensando, sentindo, andando, comendo). É desenvolvido um “eu testemunha”.
• Destemor: pratica-se uma certeza destemida e uma confiança profunda de que nada poderá perturbá-lo.
• Compaixão: cultiva-se um intenso sentimento de amor e compaixão por todos os seres vivos.
• Devoção: o meditador tem como foco principal o amor incondicional ao seu mestre, ou à deidade de sua crença religiosa.
• Visualização: o praticante esforça para construir em sua tela mental uma imagem específica e concentrar-se nela.

Todas estas formas, conforme foi visto, têm uma meta em comum, visam à iluminação ou estado de absorção total no infinito. Apesar da meta da meditação estar relacionada diretamente à transcendência, ao meditar nós também adquirimos “de brinde” melhoras no funcionamento físico, mental e emocional. Alguns cientistas que se dedicaram ao estudo da meditação e seus efeitos clínicos/fisiológicos constataram nos praticantes de meditação:
• Melhora no controle da neuroquímica das emoções (sistema límbico);
• Reduções da freqüência cardíaca (quando a prática de meditação não é dinâmica);
• Alterações do fluxo sanguíneo encefálico e da atividade eletroencefalográfica (aumento das ondas ALFA ou BETA durante a meditação);
• Modificações nas concentrações de inúmeras substâncias neurotransmissoras;
• Variações neuronais (hiperpolarização dos neurônios);
• Quedas do consumo de oxigênio e da produção de gás carbônico;
• Reduções da temperatura corporal (exceto em práticas que aceleram o metabolismo, como a dos “monges secadores de toalhas”);
• Aumentos no volume sanguíneo;
• Alterações dos sentidos e das percepções;
• Ativação do córtex pré-frontal esquerdo;
• Melhora do sistema imunológico;
• Desenvolvimento da Inteligência Espiritual, ou seja, da capacidade de manter constantemente os princípios e leis espirituais que regem a vida.

A Meditação também pode contribuir para o autoconhecimento:
• Tornando as pessoas mais conscientes dos seus processos mentais e da maneira inadequada de reagirem aos acontecimentos estressantes;
• Fortalecendo a formação de uma personalidade sadia;
• Trazendo a sensação de “centramento”, ou seja, propiciando melhor contato consigo mesmo e com o campo de relações, fortalecendo a capacidade de autocontrole;
• Aumentando a atenção em relação às interferências externas, permitindo-se não se identificar com as mesmas;
• Auxiliando no tratamento de doenças do pânico, distúrbios de ansiedade, doenças psicossomáticas;
• Facilitando o acesso ao inconsciente, à memórias e sentimentos recalcados;
• Reorientando a mente rumo à estados mais elevados de consciência.

No entanto, apesar da meditação ser uma técnica que amplia e facilita muito o campo de atuação da área da saúde, existem algumas restrições em relação a sua aplicação:
• Em quadros de desordens internas ou mentais (esquizofrenia, fobias, boderline);
• Em quadros de transtornos obssessivo-compulsivos (os indivíduos que têm TOC podem ser muito fechados às experiências novas para tentar a meditação ou, por outro, serem bastante esforçados e conseguirem meditar).
• Em estados emocionais agudos (crises, emergências espirituais);
• Em pessoas que apresentam dificuldade de lidar com o mundo material (lidar com suas obrigações familiares e sociais, apresentam necessidade de fuga, pessoas viciadas em drogas).

Ao iniciar uma prática meditativa é muito importante observar se o tipo de meditação escolhida é adequado a sua personalidade, caso contrário você pode passar por sensações desagradáveis. A busca por profissionais e mestres que atuam na prática com seriedade é fundamental para garantir que sua experiência seja positiva. Segundo Dra. Florence Gaillard, existem alguns indícios de que a prática de meditação está correndo bem. São eles:
• Sensação durável de bem estar;
• Sensação de revitalização;
• Desaparecimento de qualquer sentimento negativo (depressão, medo, sentimento de culpabilidade, inferioridade);
• Profundo sentimento de paz e harmonia;
• Sono mais profundo e reparador após a prática da noite;
• Possibilidade de dormir menos, pois o sono é de melhor qualidade;
• Sonhos mais sadios – a violência, os cenários sexuais tendem a desaparecer;
• Sentimento durável de paz interior;
• Impressão de entender melhor o sentido dos acontecimentos e o objetivo de sua existência;
• Desaparecimento progressivo dos medos e estados depressivos;
• Desenvolvimento da compaixão e da compreensão dos outros, resultando numa diminuição da raiva, da impaciência e dos comportamentos negativos;
• Desenvolvimento gradual do sentimento de felicidade.

Meditar é uma questão de treino. Assim como treinamos nossos músculos para que fiquem firmes e fortes com a prática de exercícios físicos, exercitamos a mente através da prática de meditação. Se você deseja meditar é preciso cuidar de detalhes fundamentais para a prática ocorrer:

• Escolha um local tranqüilo e livre de distrações. De preferência sempre o mesmo local, onde as vibrações da meditação irão se concentrar e facilitar o treino.
 

• Busque uma posição confortável. Geralmente as pessoas meditam sentadas no chão de pernas cruzadas ou na postura de lótus (dorso dos pés apoiados na base das coxas, pernas cruzadas). Se você, de início, se sente desconfortável nestas posições, procure meditar sentado em uma cadeira, sem o apoio das costas no encosto e com a planta dos pés apoiadas no chão.

• Procure escolher um horário para meditar. A meditação realizada no mesmo horário traz disciplina à prática, o que é fundamental para qualquer treino. No início você pode optar por um tempo de permanência menor (cerca de 10 minutos), aumentando gradativamente para 20 a 30 minutos (tempo médio) e 1 a 2 hs (tempo desejável).

Daniel Goleman, autor do livro “Mente Meditativa” traz algumas dicas de meditação que são possíveis de serem realizadas individualmente, pelo aspirante à meditação:
• Meditação sobre a respiração: consciência da respiração. Ao dispersar voltar para este foco.
• Mantra: uma palavra ou som simples que tenha um significado positivo. Repetí-la mentalmente, concentrando-se e evitar dispersões.
• Respiração atentiva: usar as distrações como objeto de meditação. Exemplo: se sua mente se distrair com um som que você ouvir, rotule esta distração de “ouvindo”. Cada vez que tiver rotulado uma distração, trazer a mente de volta à respiração.
• Comer atentivamente: prestar atenção total e cuidadosa a cada aspecto a experiência. Evitar automatismos.
• Andar atentivamente: Tirar o sapato, andar levando sua atenção para o caminhar. Cada intenção também é considerada. Ficar atento às sensações. Ficar presente. Ë melhor começar andando lentamente.

Se você sente que é o momento de iniciar alguma prática meditativa, não deixe para depois. Inicie realizando a prática por pouco tempo, mas diariamente. Levam-se alguns meses para que a construção do hábito seja instaurado, portanto pratique! Não dê vazão aos pensamentos negativos que surgem durante a meditação, apenas identifique-os e os deixe passar. Após algum período de prática já é possível observar os resultados físicos e psicológicos, após mais tempo, a sua relação com a espiritualidade aumenta e finalmente você começa a se encontrar verdadeiramente na prática.

Bibliografia Recomendada
BOGART, M.A. The use of meditation in psychotherapy: a review of literature. American Journal of Psychotherapy, vol. XLV, n. 3, July, 1991.

DANUCALOV, Marcello Árias Dias; SIMÕES, Roberto Serafim. Neurofisiologia da |Meditação: investigações científicas no yoga e nas experiências místico-religiosas: a união entre ciência e espiritualidade – São Paulo: Phorte, 2006.

GAILLARD, Florence. Meditação e saúde. In: Cadernos de Yoga – 6ªed., ano II, 2005.

GHAROTE, Manohar Laxman. (adaptação teórica: Marcos Rojo Rodrigues) Yoga aplicada: da teoria à prática – 2ª ed. São Paulo: Phorte Editora, 2002.

GOLEMAN, Daniel (tradução Marcos Bagno). A Mente Meditativa: as diferentes experiências meditativas no oriente e no ocidente – 5ª ed. São Paulo: Ática, 1997.

IYENGAR, B.K.S. (tradução Marta Silvia Mourão Neto) – A árvore do Ioga: a eterna sabedoria do ioga aplicada à vida diária. 1ª ed. São Paulo: Globo, 2001.

RIBEIRO, Flávia M. Yoga e psique: estabelecendo um diálogo entre os conceitos do yoga e da psicologia moderna ocidental – São Paulo: 2004. 42p. Monografia apresentada para obtenção do título de Especialista em Yoga. UniFMU – SP.

SHREEVE, James. Estado Espiritual. In: O poder da mente: últimas pesquisas da neurociência explicam nossos sentimentos. – Revista National Geoografhic Brasil – Março/2005.

FLÁVIA MAIMONI RIBEIRO -Como Cuidadora do Ser, busca integrar sua experiência profissional com o Yoga, Ayurveda e Psicologia.  Na Cítara Saúde, dedica-se ao trabalho com Psicologia Ayurvédica e Yogaterapia, buscando facilitar o encontro de cada pessoa com sua verdadeira natureza.

Add comment dezembro 1st, 2010

Que idade é essa?

Por Dra. Maísa Misiara

– De que morreu o paciente?
– Do fim da vida!

Assim afirmava em suas aulas meu querido professor de patologia, com a intenção de deixar claro que não precisávamos morrer doentes. Tampouco, precisamos envelhecer doentes.

Com a proximidade da idade avançada, nossas forças de defesa imunológica entram em declínio, aumentando novamente a tendência às infecções, como na infância; vários órgãos involuem, pois a reposição dos tecidos saudáveis torna-se precária.
Se até então tivemos uma vida harmoniosa, o corpo regride num passo lento; mas, caso contrário, muito rapidamente. A verdade é que: como vivemos, assim envelhecemos! Como cuidamos do nosso corpo-mente-espírito nos fará encontrar as consequentes dificuldades em cada uma dessas esferas.

Iniciando-se mais clara e intensamente após os 60 anos, essa etapa é conhecida como a fase vata da vida. Apresenta características em todos nós: secura na pele e no corpo inteiro, desidratação, rigidez das articulações, déficit nas percepções sensoriais e distúrbios dos movimentos.

Quando nascemos, 70% do nosso corpo é formado por água, com o passar dos anos literalmente desidratamos. Parte da água do corpo está presente nos espaços das juntas, nas articulações, lubrificando-as e nutrindo-as como um óleo, facilitando-lhes o movimento. Se há uma diminuição desse líquido, a junta torna-se seca e áspera manifestando toda a gama de sintomas e adoecimentos, de acordo com o seu maior ou menor comprometimento. Levando em consideração a diminuição natural da água geral do corpo com o seu envelhecimento, o problema pode alcançar uma maior dimensão. Dores, rigidez, artrites e outros padecimentos podem se apresentar.

Todos nós sabemos o quanto é importante uma vida saudável e aqui reside um equívoco. Exercícios físicos vigorosos, além de diminuir a água corporal por meio do suor, podem ferir as juntas e desencadear precocemente limitações em nosso sistema articular.

O Ayurveda dá importância aos exercícios, pois estes ajudam na circulação do sangue e na transpiração do corpo, que o desintoxica. Mas, tanto para jovens quanto para mais velhos, o sistema milenar de cura indiana orienta nessas práticas físicas uma medida certa. A pessoa pode exercitar-se com segurança até a metade de sua capacidade. Podemos perceber esse limite, ao sentirmos o inicio do suor na testa, nas axilas e ao longo da coluna vertebral. Com a continuidade, essa resistência aumentará, mas esse cuidado é necessário principalmente tratando-se de pessoas debilitadas ou idosas que buscam melhorar sua saúde.

Como revitalizar nosso corpo?

Tratamentos que se preocupam em suprir perdas isoladas de minerais, ou repor complexos vitamínicos de A a Z, assim como reposições hormonais, acabam por fracassar, pois, além de não contemplarem uma abordagem para o corpo como um todo, deparam-se com a incapacidade do organismo em aproveitá-los, digeri-los.

A compreensão de que se trata de algo mais complexo e abrangente, resultado muitas vezes de uma vida estressante cronicamente, de maus hábitos alimentares, práticas físicas inadequadas e emoções pouco resolvidas, ajuda quando pensamos em revitalização em um sentido amplo, e a terapia de rejuvenescimento, conhecida como rasayana, trás benefícios mais eficazes do que já experimentamos no ocidente.

O rasayana reúne um conjunto de práticas que reintegram o nosso corpo-mente-alma à saúde sempre que possível e um equilíbrio que minimize as doenças, se já instaladas. Reúne uma orientação alimentar, que aqui será nutritiva, bastante hidratante, quente e rica em alimentos que estejam faltando (dieta antivata), somada às práticas de respiração (pranayamas) que tranquilizem e eliminem o estresse e também a exercícios físicos adequados a cada pessoa (Yoga, natação, tai chi…). Além disso, soma-se a essas a meditação.

Esse conjunto de práticas rejuvenescedoras equivale a um belíssimo veículo sem seu condutor, se não compreendermos o significado dessa importante etapa da vida. Quando crianças, o desenvolvimento do corpo ocupa todo o cenário da nossa vida e, durante o amadurecimento, nossas emoções e pensamentos. Agora, em posse desse longo trajeto, entramos em contato com o terceiro tempo, em que podemos refletir o vivido, perdoar o que não transformamos em nós mesmos ou nos demais e dividir com gratidão o que construímos em sabedoria com todos os seres que nos cercam. A idade é essa.

Maisa Misiara
Médica, idealizadora da Clínica Cítara Saúde

Texto publicado no blog Yoga pela Paz em 25/11/2010

Add comment novembro 26th, 2010

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