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Dia Mundial Sem Tabaco: 12 motivos para parar de fumar já!

Segundo a OMS, o tabagismo irá matar mais de 16 mil pessoas por dia em 2011
POR LETÍCIA GONÇALVES

Motivos não faltam para extinguir o fumo da sua rotina. A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou, no último dia 27 de maio, que o tabaco irá matar nada menos que seis milhões de pessoas somente em 2011, sendo 600 mil fumantes passivos. Se esses números continuarem aumentando, a estimativa é que, em 2030, oito milhões de pessoas morram por ano por conta desse péssimo hábito.
O Dia Mundial sem Tabaco (31 de maio) foi criado pela OMS em 1987, justamente para tentar reduzir esses números alarmantes. O objetivo é atrair a atenção do mundo para a epidemia do tabagismo – que matou 100 milhões de pessoas no século XX – e as mais de 50 doenças relacionadas a ele que poderiam ser evitadas. Governos de diversos países, especialistas e estudos científicos caminham para uma mesma direção: alertar que o fumo faz mal e causa inúmeros malefícios no organismo. Confira alguns deles:

1. Redução de olfato e paladar
O fumo traz sérias alterações na boca e no nariz. “Os agentes químicos presentes no cigarro atuam como irritantes da mucosa bucal, o que resseca e aumenta a camada de queratina”, explica a nutricionista Thais Souza, da Rede Mundo Verde. Ela explica que o fumo promove alterações nas papilas gustativas, o que impede que o fumante sinta o real sabor dos alimentos.
Além disso, o cigarro é prejudicial para a mucosa olfativa, já que seu efeito térmico pode levar a lesões que alteram o olfato.

2. Doenças gastrointestinais
A digestão já fica prejudicada por conta das alterações no paladar. Para completar o desastre, a nicotina no sistema digestivo provoca a diminuição da contração do estômago e provoca irritação. O uso contínuo do cigarro enfraquece o músculo que impede o refluxo, o que aumenta o contato de ácido gástrico com a mucosa esofágica. O tabaco ainda facilita a infecção por bactérias causadoras da úlcera gástrica.

3. Rugas e pele envelhecida
Além dos dentes amarelados e do mau hálito, a pele tende a envelhecer mais rápido nos fumantes. “Existem alguns estudos feitos com gêmeos, em que somente um tinha o hábito de fumar, que comprovaram que aquele que fumava poderia aparentar até oito anos a mais que o irmão”, conta o cirurgião plástico Gerson Luiz Julio.
Isso acontece porque a pele diminui a produção de colágeno e perde brilho e elasticidade. De acordo com Gerson, o aparecimento precoce de rugas também é provável, o que deixa a pele com um aspecto pardo ou amarelado. “Outra característica que os fumantes normalmente expõem na face são as populares manchas”, completa o profissional.

4. Câncer de boca
De acordo com o diretor do Departamento de Estomatologia do Hospital do Câncer, Fábio de Abreu Alves, 95% dos pacientes com câncer de boca fumam. O motivo é a composição do cigarro: “Ele é produzido por cerca de 4.700 substâncias tóxicas, sendo 60 cancerígenas”, diz o especialista. Esse emaranhado de elementos nocivos presentes no tabagismo ainda é responsável por diversos outros tipos de câncer, principalmente nas vias aéreas, como laringe, esôfago e pulmão.
O dentista Marcelo Kyrillos, da clínica odontológica Ateliê Oral, também explica que a nicotina desestrutura a parte óssea da boca e danifica a estética vermelha natural da gengiva. O esmalte dos dentes é atingido pelo alcatrão. Ela penetra no esmalte superficial e causa o escurecimento deles.

5. Problemas de visão
Segundo dados do Instituto Nacional do Câncer, INCA, os fumantes apresentam um risco duas vezes maior de catarata e de duas a três vezes maior de desenvolver a degeneração macular relacionada à idade.
O oftalmologista Virgilio Centurion, diretor do Instituto de Moléstias Oculares, conta que os efeitos maléficos do tabagismo também estão associados à queda das pálpebras. “Isso pode provocar uma diminuição do campo visual e o aparecimento da oftalmopatia de Graves, doença que apresenta como sintomas retração palpebral, edema palpebral, lacrimejamento, fotofobia, sensação de corpo estranho, entre outros”, afirma o profissional.

6. Alteração das funções dos genes
A exposição à fumaça de cigarro altera a formação das células por conta do comprometimento da função de alguns genes, segundo um estudo realzado pela Southwest Foundation for Biomedical Research, nos Estados Unidos.
Os cientistas analisaram 1.200 pessoas e identificaram 323 genes que sofrem alterações na hora de converter informações genéticas em funções celulares por causa da fumaça do cigarro. Essas alterações têm grande influência negativa no sistema imunológico e um forte envolvimento no processo de morte das células e desenvolvimento de câncer.

7. Anulação dos efeitos benéficos de beber com moderação
A comprovação vem de um estudo da Universidade de Cambridge (Inglaterra) com 22 mil participantes. De acordo com os cientistas, beber com moderação (de três a 14 doses por semana) diminui as chances de um AVC, ou seja, uma redução de 37% no risco de acidente vascular cerebral.
No entanto, os fumantes que consumiam uma quantidade similar de álcool não apresentavam tal declínio em suas chances para o curso. Vale lembrar também que já era comprovado que pessoas que fumam têm um risco 64% maior de ter um acidente vascular cerebral do que aquelas que nunca fumaram

8. Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica
O tabagismo é a principal causa da DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica), complicação definida pela presença de obstrução progressiva do fluxo aéreo. “O perigo de desenvolver DPOC em um grupo de fumantes de dois maços de cigarros por dia é aproximadamente 4,5 vezes maior que para os não-fumantes”, conta a fisioterapeuta Adriana Marques Battagin, especialista em fisioterapia cardiorrespiratória.
Ela explica que o impacto da DPOC sobre o indivíduo portador não se dá somente na limitação física para a execução das atividades da vida diária, mas também nas relações afetivas, conjugais, sexuais, no lazer e no exercício profissional. Em decorrência da limitação física, muitos doentes tornam-se amplamente dependentes de seus familiares, despertando um sentimento de incapacidade e contribuindo para a diminuição de sua auto-estima e a alteração de humor.

9. Doenças neurológicas
Cientistas do National Brain Research Center, da Índia, descobriram uma ligação direta existente entre tabagismo e danos cerebrais. Um composto do cigarro, chamado NNK, desencadeia uma resposta exagerada do cérebro a partir de células imunes no sistema nervoso central.
Os glóbulos brancos, que normalmente eliminam células danificadas, passam a atacar células saudáveis, resultando em graves danos neurológicos. De acordo com os pesquisadores, a substância é considerada pró-cancerígena, o que significa que pode causar câncer quando é modificada por processos metabólicos do corpo, além de desencadear distúrbios como a esclerose múltipla.

10. Infertilidade em mulheres e homens
O ginecologista Assumpto Iaconelli Júnior conta que, nas mulheres, o tabagismo pode causar: antecipação da menopausa, aumento de irregularidades menstruais, alterações hormonais, menor qualidade dos óvulos e embriões e dificuldade de implantação do óvulo.
“Observamos na nossa clínica, que realiza tratamentos de fertilização in vitro, que mulheres que fumam têm menor taxa de sucesso e precisam do dobro de tentativas, em média, em relação às não tabagistas, para conseguir uma gestação”, completa o especialista.
Já nos homens, o cigarro afeta a formação e diminui a mobilidade dos espermatozóides, piora o potencial de fertilização e aumenta o estresse oxidativo (radicais livres).

11. Problemas no coração
A complicação cardiovascular decorrente do cigarro afeta até mesmo o fumante passivo. Pesquisadores do Departamento de Cardiologia do Erasme Hospital e a Univesité Libre de Bruxelles, na Bélgica, comprovaram que respirar as substâncias do cigarro afetam várias funções do sistema vascular arterial – e mesmo quando já não há mais fumaça no ar.

O tabagismo – tanto ativo quanto passivo – provoca elasticidade do sistema vascular. O presidente da Sociedade Brasileira de Hipertensão, Fernando Nobre, alerta: “Essa elasticidade traz danos para a manutenção de uma pressão arterial saudável, além de poder evoluir para outros problemas, como o AVC”.

12. Complicações na maternidade
Gravidez definitivamente não combina com cigarro. “Abortos espontâneos, nascimentos prematuros, bebês de baixo peso, mortes fetais e de recém-nascidos, complicações com a placenta e episódios de hemorragia ocorrem mais frequentemente quando a mulher grávida fuma”, afirma o ginecologista Aléssio Calil Mathias.
Segundo dados do INCA, um único cigarro fumado por uma gestante é capaz de acelerar, em poucos minutos, os batimentos cardíacos do feto, devido ao efeito da nicotina sobre o seu aparelho cardiovascular.
Um estudo da Universidade de York, no Reino Unido, também aponta que mulheres que fumam na gravidez têm maior risco de ter filhos hiperativos e com problemas de atenção na escola.
E não é só: o pneumologista Sergio Ricardo Santos, presidente da Comissão de Tabagismo da Sociedade Paulista de Pneumologia e Tisiologia (SPPT), ainda dá o alerta de que bebês que convivem diretamente com fumantes têm maiores chances de morrer sem nenhuma causa aparente, a chamada Síndrome da Morte Súbita Infantil.

Artigo original 

Add comment maio 31st, 2011

Fofinhos… mas não gordinhos.

Por Dra. Cristina Guttilla

 A alimentação saudável é fundamental não só para o crescimento e desenvolvimento com também para o perfeito funcionamento do organismo.

Infelizmente os hábitos alimentares estão muito desequilibrados e a obesidade aumentou muito nas 3 últimas décadas, principalmente em crianças ,adolescentes e adultos jovens .

O desmame precoce, a inatividade física e a introdução de alimentos inadequados em qualidade e quantidade são os fatores que mais contribuíram para a obesidade infantil. 

A criança , mesmo com a melhor das intenções ,geralmente é habituada a uma dieta idadequada e os efeitos do excesso de açúcar ,sal ,gordura ,proteínas e carboidratos vão repercutir para o resto da vida , tornando muito mais difícil a implementação da reorientação alimentar.

 Hoje sabemos que a alimentação, principalmente nos primeiros anos de vida , pode induzir efeitos tardios na saúde e em riscos de doenças na vida futura como obesidade, hipertensão ,diabetes , doenças coronarianas e várias outras.

Por isso é tão importante a atenção com o que se come ! Ajudar a criança à aprender a comer com prazer e qualidade é um dever e um grande carinho e esse cuidado constante irá repercutir pelo resto da vida…..

Saiba mais no post Obesidade Infantil.

Add comment março 15th, 2011

Obesidade infantil

 Olá amigos.

A nossa pediatra – a Dra. Cristina Guttilla recomenda um filme muito educativo e divertido sobre a obesidade infantil, criado pelo nosso querido  amigo Ivo Minkovicius.

“Nos últimos anos a obesidade tornou-se um problema de saúde pública. Além do estigma psicossocial acarretado pela obesidade, as complicações clínicas e metabólicas geram um grande número de atendimentos nos serviços de saúde. Podemos citar as repercussões da obesidade como hipertensão arterial, dislipidemias, diabetes tipo II, doenças cardiovasculares, apnéia do sono, neoplasia de mama, cólon e reto.

É importante ressaltar a complexidade do assunto, pois a obesidade tem uma etiologia mista, na qual contribuem vários fatores que não têm ações independentes, portanto sofrem influência entre si.

A obesidade está ligada a uma predisposição genética e  fatores ambientais, como o hábito alimentar da família. O estilo de vida das pessoas influi fortemente quando o assunto em pauta é a obesidade. Assim, o sedentarismo aliado uma dieta hipercalórica, a ausência de regularidade no horário das refeições são fatores que de forma isolada ou combinada contribuem para o desenvolvimento da obesidade. O vínculo emocional mãe-filho afeta a nutrição da criança, pelo modo com que a mãe, demonstrando afeto ou preocupação, oferece alimentos como “prêmio” ou compensação. Dentre esses, o estilo de vida deve um componente importante na gênese da obesidade, pois este define os hábitos e costumes das crianças e adolescentes e os consolida nos pais. Esses hábitos e costumes podem ser elencados: não possuir horários fixos para comer; quantidade de comida preparada por refeição; qualidade da comida em relação à porcentagem de carboidratos, gorduras e proteínas;  número de refeições consumidas diariamente; quantidade de alimentos consumidos em cada refeição relacionada aos horários das mesmas; hábito de comer entre as refeições e  a qualidade e quantidade dos alimentos ingeridos nestes intervalos.

A mãe desempenha papel fundamental no aprendizado nutricional do filho. Esse aprendizado se desenvolve de forma ativa, quando a mãe realiza o controle da dieta da casa  e de forma passiva,  através da observação da criança quanto aos hábitos nutricionais da mãe ou da família1,20.

O aconselhamento e orientação das mães no   preparo e manuseio dos alimentos poderia determinar a efetividade de uma medida simples, como por exemplo orientação nutricional, no controle de um sério problema como é a obesidade22.

Assim, buscar os hábitos alimentares da família entre as mães de crianças obesas e definir o estado nutricional das mães dessas crianças ou adolescentes nos possibilitaria a  identificação  de alguns fatores  de risco para o desenvolvimento da obesidade na criança ou no adolescente.

Autor: Paulo Cavalcante Muzy

Add comment março 1st, 2011

Ayurveda para mulheres

Por Dra. Adriana Bennazi PIranda

MENSTRUAÇÃO E AYURVEDA

O ciclo menstrual está submetido à poderosa influência dos doshas. A primeira fase do ciclo menstrual ocorre o predomínio do hormônio feminino estrogênio, que em muitos aspectos é um hormônio do tipo Kapha, sendo este dosha que aumenta nesta fase. Esta fase é chamada fase folicular, onde o organismo estimula a produção de folículos nos ovários, onde ocorrerá a ovulação, onde ocorre o pico máximo de produção do estrogênio. O corpo oferta ao útero os melhores nutrientes de que dispõe a fim de prepará-lo para uma possível gravidez.

Após a ovulação ocorre o predomínio do hormônio progesterona, que se assemelha mais a Pitta. É a fase secretória, que vai desde a ovulação até a menstruação seguinte. Portanto é Pitta que predomina no corpo feminino no período pré-menstrual.

Durante a menstruação há o predomínio do dosha Vata, que é o responsável pelos transportes do corpo, pelo movimento, portanto rege o fluxo menstrual e o transporte do sangue para fora do corpo feminino.

Em sânscrito o termo genérico para o ciclo menstrual, menstruação e substâncias relacionadas à estes é astava , palavra que deriva de rtu, que significa estação.

A Ayurveda nos ensina que as mudanças de estação nos deixa mais suscetíveis a enfermidades. São momentos de transformações de uma estação em outra, de uma fase em outra. Sempre que nosso entorno muda, seja interior ou exterior, nosso organismo deve mudar, se adaptando às novas características vigentes. Se ocorrer uma má adaptação, então haverá a possibilidade de enfermidade. A menarca (1ª menstruação) e a menopausa são momentos com estas características da vida da mulher, assim como a ovulação e a menstruação marcam o ciclo menstrual.

Todos os meses corpo e mente femininos têm a oportunidade de purificar-se com a menstruação. Para que possam gerar filhos saudáveis, as mulheres realizam esta limpeza natural periódica.  A Natureza não espera que todos os meses a mulher engravide, mas sim que elimine toxinas. É como uma oportunidade que a mulher tem de se colocar em contato com seus fluxos, sua criatividade, seus movimentos, ciclos, que a levam a suas raízes. Um estado de criatividade que só possuem as mulheres! Com liberdade para utilizar esta capacidade criativa como melhor lhe convenha: para si mesma ou para os outros, para  produzir ou para reparar, para criar ou para procriar. Fazer valer este poder com a finalidade de ajudar aos demais, o que contribui para nutrir seu próprio potencial criativo. Estes são esforços da natureza a fim de ajudar e também sanar, que não se deve deixar de lado, pois poderão gerar bloqueios  que se manifestam com transtornos do fluxo menstrual.  

A menstruação mobiliza os resíduos , toxinas e ama do sangue, mas o resultado deste evento dependerá de como ocorra o alinhamento entre a mulher e seus fluxos.

Esta purificação fica a cargo do apana. Se ocorrer uma obstrução, ama não eliminado pode se espalhar pelo corpo, provocando cistos de ovário, miomas, vaginites endometriose e outros. Este movimento descendente contribui para renovar o vínculo com o útero materno e com o elemento terra além de reativa a capacidade de receber energia que provém deste elemento.

O organismo para executar sua fertilidade  deve ser comparado a um campo a ser semeado. Devemos pensar na estação do ano, no próprio campo, na semente e no cultivo.  O corpo é a estação do ano. O campo, os órgãos reprodutores. A semente seria o óvulo. O cultivo engloba diversos aspectos: o sangue, os hormônios, outras secreções, tudo que nutre o óvulo e fertilizam o campo.

            Uma infinidade de sintomas atribuídos à TPM( tensão pré-menstrual) são na verdade desequilíbrios do organismo como um todo, exacerbados no período peri menstrual.

Ter uma determinada constituição não implica em concluir que os desequilíbrios serão exclusivos desta constituição. Uma mulher de constituição Pitta pode desenvolver um desequilíbrio Vata, basta exagerar na obstinação pelo trabalho ou em outras questões, mesmo que sejam para diversão. O ciclo menstrual de uamá mulher pode variar, dependendo não só de sua constituição, que pode ser bi ou tridosha, mas também com os fatores de clima, estação do ano, alimentação, relação com o trabalho,  hábitos de vida etc.

CICLOS MENTRUAIS NOS DIFERENTES BIOTIPOS

Vata: possui ciclos irregulares que tendem a ser mais do que o mês. O fluxo em geral é escasso, fluido ou escuro e muitas vezes acompanhado de coágulos. São freqüentes os escapes e cólicas menstruais. O abdome é rígido e tenso, pode ocorrer prisão de ventre no início do fluxo ou até mesmo antes dele.

No aspecto emocional ocorre labilidade de humor e sentimentos, assim como ansiedade e nervosismo. A insônia e o sono entrecortado são mais freqüentes.

Mulheres que realizam muitos exercícios físicos podem emagrecer tanto que deixam de menstruar por uma agravação do dosha vata.

Pitta: possui ciclos regulares com intervalos um pouco menores do que um mês. O sangramento é abundante e prolongado, além de ter coloração vermelho-vivo brilhante. Mas também pode ter um tom azulado, amarelado ou preto. A sensação de calor é freqüente e as cólicas são de média intensidade. O intestino funciona mais vezes um pouco antes da menstruação ou durante. Mulheres magras com tom de pele amarelado costumam ter o fluxo reduzido.

No aspecto emocional ocorre maior irritabilidade, grande ansiedade por comida e sensação de excesso de calor no corpo e na mente. Este biotipo tende a ter mais acne, brotoejas e outras manifestações de pele neste período. Por isso não é um bom período para depilação. Nestas mulheres a dor de cabeça é mais freqüente que nos outros biótipos como também as secreções vaginais.       

Kapha : O ciclo costuma ser bastante regular e o fluxo de media quantidade, pálido e viscoso. A presença de desequilíbrio deste dosha pode produzir cólicas.  É grande a propensão a reter líquidos, dores mamárias, distensão abdominal( retém líquidos nas alças intestinais) com aumento de peso. A digestão é lenta, como sabemos e letárgica. Embotamento e até quadros de depressão predominam no emocional.  Estas mulheres têm candidíase vaginal no período pré-menstrual. Outra queixa é a sensação de peso nas pernas, dores nas costas e até certa rigidez.

Os três doshas trabalham juntos para criar o ciclo feminino e os três podem “conspirar” para complicá-lo.  A auto observação é de grande importância para mudanças destes estados patológicos. Cuidados simples como: alimentação sem aditivos químicos; evitar álcool, sal, açúcar, carne e cafeína em excesso; cuidar do agni para ter sempre uma boa capacidade digestiva; manter exercícios físicos regulares; descansar após situações extenuantes como excesso de trabalho, sexo, exercícios físicos etc.; questões ambientais nocivas que hiperestimulam nossos sentidos (audição, visão,paladar, olfato e tato)causarão desgastes desencadeando desequilíbrios .

Os fatores causais contribuem para desequilibrar os doshas, portanto a correção destes  auxiliam na no retorno ao bem estar.

 

 

 

Bibliografia : AYURVEDA para las mujeres. Svoboda, Robert. Ed Kairós.

Add comment fevereiro 17th, 2011

Desvendando o Panchakarma

Entrevista com a Dra. Maísa Misiara – idealizadora da Clínica Cítara Saúde

1 – Panchakarma: qual é a tradução literal dessa palavra e qual o sentido do tratamento (melhor usar a palavra “processo”) dentro da filosofia ayurvedica?

Panchakarma palavra sânscrita que significa literalmente cinco ações é um tratamento que tem sua origem no Ayurveda, medicina milenar, sistema de tratamento vigente na Índia e que se originou nos Vedas,um dos registros mais antigos do conhecimento da humanidade.

Podemos traduzi-la como Cinco Processos a serem realizados com o objetivo de prevenção ou cura de doenças por meio da redução (eliminação de toxinas) e tonificação dos tecidos, restabelecendo o equilíbrio físico e emocional.

O sentido desse tratamento que a antiga Sabedoria dessa medicina nos ensina é que, como premissa, devemos antes desintoxicar nosso corpo e nossa mente, para depois nutri-los com perfeição. Limpo, nosso organismo consegue absorver os nutrientes e vitaminas que lhe são oferecidos e que, em caso contrário só aumentariam sua intoxicação e desequilíbrio.

2 – Os chamados tratamentos “detox” têm sido bastante criticados nos últimos tempos, ora apontados como inócuos, ora acusados como prejudiciais à saúde, por conta de inúmeros efeitos colaterais. De que forma o Panchakarma se coloca (ou se distingue) dos outros tratamentos detox?

O Panchakarma é mais do que um tratamento “detox”.

A grande crítica aos tratamentos de “detox”, que estão se popularizando rapidamente, é que eles levam à desvitalização dos tecidos do nosso organismo, pela retirada pouco cautelosa e indiscriminada de seus elementos tóxicos e também não tóxicos, sem o cuidado em avaliar seu limite, prepará-lo e subseqüentemente, nutri-lo adequadamente.

O Panchakarma difere destes tratamentos, pois além de eliminar as toxinas, nutre e tonifica imediatamente o organismo, restaurando a vitalidade dos órgãos, a jovialidade emocional, o rejuvenescimento de dentro para fora num sentido amplo e não meramente estético.

3 – Como é (na prática)? São cinco etapas, certo? A pessoa deve seguir uma dieta específica, quais são os óleos e ervas ingeridos ao longo do processo e que reações eles provocam?

Os cinco processos tradicionais são:

Vamana ou vômito terapêutico (elimina as toxinas acumuladas no estômago)

Virechana ou diarréia terapêutica (elimina as toxinas acumuladas no fígado e intestino delgado)

Basti, para limpeza intestinal

Nasya, tratamento através das narinas (a porta de entrada do cérebro), que limpa os seios da face.

Rakta mokshana, limpeza do sangue

Na prática é realizado o diagnóstico para definir qual o tratamento mais adequado e que respeita a totalidade do indivíduo. Avalia-se a possibilidade de uma patologia instalada, além das características psicofísicas da pessoa. A idade, clima onde mora, resistência, estação do ano são também levados em consideração.

Cada paciente terá uma recomendação individual de acordo com esse conjunto de dados e, não necessariamente será submetido aos cinco processos de limpeza.

Entretanto há algumas etapas que são comuns aos tratamentos:

– A pessoa deve seguir uma dieta preparatória de desintoxicação, que aumenta o “fogo digestivo”, ou seja, aumenta a capacidade do corpo de metabolizar as toxinas acumuladas e o prepara para a etapa seguinte.

– São aplicadas massagens ayurvedicas para a mobilização de toxinas que estão presas nos tecidos e sua condução para as vias de eliminação naturais.

– Nutrição e Revitalização – Uma vez desintoxicado, começa o verdadeiro tratamento de saúde. Desenvolve-se nesta etapa, uma nova rotina diária que inclui: orientação alimentar adequada à constituição individual, práticas de respiração (pranayamas), e práticas físicas (yoga).

A escolha de ervas e óleos também é individual e decorrente daquele levantamento e diagnóstico feito pelo médico. Por exemplo: óleos como o de gergelim puro, que é extremamente nutritivo para quem está desvitalizado; óleo de côco, mostarda, combinados com óleos essenciais como, lavanda, gerânio.

Ervas medicinais que têm efeitos tônico, nutritivo e imunizantes.

As reações de um Panchakarma corretamente administrado são: sensação de leveza, paz, bem estar, agilidade, calma, disposição, alegria, bom humor, vitalidade.

Porém de acordo com o grau de intoxicação que a pessoa tenha, podem ocorrer reações como enjôos, desarranjos leves gastrointestinais, tonturas; reações que são passageiras e previsíveis. Por isso mesmo, esse tratamento deve ser prescrito e acompanhado por um médico experiente em Ayurveda..

4 – A promessa é de emagrecer e eliminar toxinas – que toxinas são as que o corpo elimina e de que forma? Quanto ao emagrecimento, o detox provoca perda de gordura ou trata-se de uma redução de medidas (através da eliminação de água, por exemplo)?

A promessa desse tratamento é a de limpar os tecidos e revitalizar, o que é sinônimo de eliminar a água em excesso e diminuir gorduras que se acumulam em algumas partes do corpo devido à obstrução dos canais que as alimentam. A maioria das pessoas que fazem o tratamento de fato emagrecem, como conseqüência do equilíbrio alcançado pelodo organismo. Porém, em alguns casos isso não ocorre.

Seria um erro, buscar tal tratamento primordialmente pela expectativa de emagrecer. O correto é procurá-lo pelo benefício de revitalização e saúde que conduz ao verdadeiro rejuvenescimento.

O Panchakarma ajuda a eliminar as toxinas que são acumuladas pela ingestão de alimentos que contêm agrotóxicos, como o arsênico nos herbicidas e pesticidas; o chumbo contido na fumaça dos caminhões e tintura dos cabelos; o cádmio na fumaça dos cigarros; o mercúrio nas águas que bebemos; o uso abusivo de remédios, quimioterápicos, os contrastes utilizados nos tratamentos médicos, somam uma quantidade de toxinas heroicamente toleradas pelo nosso organismo. Irritamo-nos pelo excesso de estímulos, trabalhamos em demasia, corremos contra o tempo, competimos, vivemos o hábito do excesso, que também geram toxinas.

5 – Todo mundo pode fazer? As reações ao Panchakarma são iguais? Funciona mais em casos assim ou assado?

Nem todo mundo pode submeter-se ao Panchakarma. Existem restrições e contra-indicações: na gravidez, imediatamente após o parto, em idosos debilitados, crianças, pessoas com anemia severa, e em algumas doenças graves.

As reações ao tratamento variam de pessoa a pessoa, entretanto, são particularmente eficazes em casos de obesidade, diabetes, hipertensão, dores articulares, distúrbios metabólicos.

6 – A idéia é reequilibrar o sistema bioenergético e restaurar o metabolismo de cada um, purificando o corpo e a mente. De que forma (quais os sintomas) um corpo intoxicado se reflete em problemas emocionais e de saúde também?

Se o corpo está intoxicado, não temos vitalidade e resistência para seguir a vida. A má digestão, insônia, gases, sensação de queimação, retenção de líquidos pioram a disposição psíquica.

Por outro lado, condições psíquicas tais como a dispersão, medo, insegurança, raiva, letargia, depressão, por sua vez agravam os incômodos orgânicos.

Com a mente obscurecida não temos clareza para fazermos as escolhas certas e transformá-las em atitudes que nos permita viver uma vida plena.

Esse círculo vicioso pode ser interrompido com o tratamento ayurvedico.

7 – Parece que o Panchakarma tem fãs famosos, como Madonna. O tratamento é caro?

Na Índia, o Ayurveda é um sistema de medicina convencional praticado na rede hospitalar pública e em hospitais universitários. Esse sistema é acessível a toda a população, principalmente às camadas mais baixas.

No Brasil ainda está restrito à rede particular, porém seu custo é perfeitamente acessível à classe média. O tratamento é aparentemente mais caro do que um tratamento convencional, porque exige a intervenção de uma série de profissionais especializados: o médico, o terapêuta que aplicará os procedimentos e as massagem, o especialista em nutrição, e a prática de Yoga que é recomendada. Mas o custo benefício é altamente compensador, pois diminui a dependência de remédios e hospitais.

A Ayurveda já conhecida há algum tempo no Ocidente, está se popularizando rapidamente depois que famosos a adotaram.

O que os ocidentais estão descobrindo é algo que milhões de pessoas na Índia já sabem há muito: o tratamento funciona e traz saúde.

Dra Maisa Misiara, clínica geral, especialista em Homeopatia e Ayurveda, idealizadora da Clínica Cítara Saúde; Docente do Instituto de Cultura e Escola de Homeopatia.

1 comment janeiro 17th, 2011

Meditação: autocura e transcendência

Por Flávia Maimoni Ribeiro

Em Sikkim, nas montanhas do Himalaia, a uma temperatura de 4,4º C, monges budistas tibetanos altamente versados em uma prática meditativa chamada Tum-mo yoga foram enrolados com pesados cobertores completamente molhados. Três a cinco minutos depois de iniciarem suas práticas meditativas era visível a evaporação da gélida água, e em aproximadamente 45 minutos, a temperatura elevada de seus corpos tinha secado completamente todos os cobertores. Os mesmos monges foram capazes de repetir esta experiência por três vezes seguidas, sem que nenhuma delas tenha sido presenciada qualquer sensação de frio manifestada pelos monges. Estes monges foram conhecidos como “monges secadores de toalha”, por terem a capacidade de aumentar seus metabolismos com a técnica de meditação.

Em 1973, Kothari e sua equipe de cientistas pesquisaram um yogue de 70 anos, conhecido nas ruas da cidade de Udaipur, na Índia, por afirmar conseguir parar o seu coração. Satyamurti aceitou ficar confinado numa cela de 15 metros cúbicos, sendo totalmente monitorado por oito dias, sem comer nem beber, sentado em posição de lótus. No início do experimento seus batimentos cardíacos começaram a aumentar como se Satyamurti estivesse sofrendo uma taquicardia, mas sem que ele sofresse qualquer anormalidade no funcionamento de seu coração. Depois dessa taquicardia, a função cardíaca de Satyamurti foi tão reduzida que os instrumentos eletrocardiográficos não foram sensíveis o suficiente para detectar qualquer padrão elétrico. Supostamente seu “seu coração parou”, ou melhor, seu metabolismo diminuiu tanto que o eletro não conseguiu medir a atividade cardíaca e assim permaneceu por cinco dias.

 
Estes e outros experimentos abriram um leque de possibilidades de investigação a respeito da meditação, seus benefícios e de como o estudo da mente deveria ser mais aprofundado, como nós Ocidentais só estávamos enxergando “a ponta do iceberg” no que se trata de estudar a consciência humana.

Estes estudos, apesar de interessantes, podem assustar a maioria dos aspirantes à meditação ou faze-los desistir simplesmente pelo pensamento: “Ah, eu nunca vou conseguir fazer isto”. Entretanto, mais do que desenvolver habilidades mentais que transcendem a ciência, a meditação tem uma meta bem clara: ser uma via de transformação profunda da consciência, transformação esta que percorre os valores e a espiritualidade do ser humano.

Antes mesmo de definirmos meditação teremos que percorrer o caminho oposto, ou seja, descreveremos o que não é meditação, já que muitas confusões estão presentes no imaginário do senso comum. Alguns mitos que mais aparecem são:

• Meditar significa não pensar em nada. Como podemos pedir para que nossa mente fique em branco durante a meditação? Se eu falar para você agora não pensar em um macaco branco, isso é possível de acontecer? Quanto mais nos esforçamos em travar uma luta contra nossos pensamentos, mais eles dominam a nossa consciência. Existe um estágio no processo de meditação em que os pensamentos cessam, mas é um processo que ocorre em decorrência da prática persistente, do esforço e do desapego.

• Meditar significa fechar os olhos. Se esta fosse uma verdade, em todo momento de sono nós estaríamos meditando. Uma das formas de meditar é fechar os olhos para se reduzir os estímulos sensoriais, mas podemos também meditar caminhando, executando atividades com presença e concentração.

• Só os monges e yoguis conseguem meditar de verdade. Esta é uma crença que dificulta o ingresso de praticantes urbanos que pensam constantemente: “Isso não é para mim, sou muito agitado!”. A meditação é intrínseca à rotina dos monges, mas é possível desenvolver este hábito mesmo com a agenda lotada, filhos, tendência à agitação. Tudo é uma questão de prática e disciplina.

• “Meditar” é o mesmo que “refletir”. Aqui no Ocidente temos este costume de dizer: “Vá e medite sobre o que você fez hoje!”ou “Eu meditei sobre minha relação e conclui que…”. Mas, meditar não é ocupar a mente com pensamentos, reflexões e sim deixá-la livre para que ela possa primeiramente acompanhar seu curso e gradualmente reduzir suas flutuações/distrações.

Mas, afinal, o que é Meditação?
A meditação não é algo que se faça, ela já está pronta. É principalmente um estado de consciência que atingimos quando os cinco sentidos se aquietam, o intelecto gradualmente silencia, o coração assume um estado de paz inabalável e a serenidade mental surge. Este estado vêm e vai e conforme o tempo de prática e a persistência do meditador. Um mestre de yoga indiano chamado Iyengar, produz belamente em suas palavras o que acontece neste estado de meditação:

“Quando a mente alcança a alma e a ela se funde, a alma fica livre, permanecendo daí em diante em paz e em estado de beatitude. Se uma ave é mantida dentro de uma gaiola, não tem possibilidade de se movimentar. No momento em que a gaiola é aberta, a ave sai e ganha a sua liberdade. E o homem alcança a liberdade quando a mente se liberta do cativeiro do corpo e passa a repousar no colo da alma”.

Existem, basicamente, algumas formas de meditar, que variam de técnica a técnica. São elas:

 • Concentração: a mente focaliza em um objeto, som, foco específico até que este domine por completo a mente do meditador.
• Atentividade: A mente observa-se a si mesma em todas as situações (pensando, sentindo, andando, comendo). É desenvolvido um “eu testemunha”.
• Destemor: pratica-se uma certeza destemida e uma confiança profunda de que nada poderá perturbá-lo.
• Compaixão: cultiva-se um intenso sentimento de amor e compaixão por todos os seres vivos.
• Devoção: o meditador tem como foco principal o amor incondicional ao seu mestre, ou à deidade de sua crença religiosa.
• Visualização: o praticante esforça para construir em sua tela mental uma imagem específica e concentrar-se nela.

Todas estas formas, conforme foi visto, têm uma meta em comum, visam à iluminação ou estado de absorção total no infinito. Apesar da meta da meditação estar relacionada diretamente à transcendência, ao meditar nós também adquirimos “de brinde” melhoras no funcionamento físico, mental e emocional. Alguns cientistas que se dedicaram ao estudo da meditação e seus efeitos clínicos/fisiológicos constataram nos praticantes de meditação:
• Melhora no controle da neuroquímica das emoções (sistema límbico);
• Reduções da freqüência cardíaca (quando a prática de meditação não é dinâmica);
• Alterações do fluxo sanguíneo encefálico e da atividade eletroencefalográfica (aumento das ondas ALFA ou BETA durante a meditação);
• Modificações nas concentrações de inúmeras substâncias neurotransmissoras;
• Variações neuronais (hiperpolarização dos neurônios);
• Quedas do consumo de oxigênio e da produção de gás carbônico;
• Reduções da temperatura corporal (exceto em práticas que aceleram o metabolismo, como a dos “monges secadores de toalhas”);
• Aumentos no volume sanguíneo;
• Alterações dos sentidos e das percepções;
• Ativação do córtex pré-frontal esquerdo;
• Melhora do sistema imunológico;
• Desenvolvimento da Inteligência Espiritual, ou seja, da capacidade de manter constantemente os princípios e leis espirituais que regem a vida.

A Meditação também pode contribuir para o autoconhecimento:
• Tornando as pessoas mais conscientes dos seus processos mentais e da maneira inadequada de reagirem aos acontecimentos estressantes;
• Fortalecendo a formação de uma personalidade sadia;
• Trazendo a sensação de “centramento”, ou seja, propiciando melhor contato consigo mesmo e com o campo de relações, fortalecendo a capacidade de autocontrole;
• Aumentando a atenção em relação às interferências externas, permitindo-se não se identificar com as mesmas;
• Auxiliando no tratamento de doenças do pânico, distúrbios de ansiedade, doenças psicossomáticas;
• Facilitando o acesso ao inconsciente, à memórias e sentimentos recalcados;
• Reorientando a mente rumo à estados mais elevados de consciência.

No entanto, apesar da meditação ser uma técnica que amplia e facilita muito o campo de atuação da área da saúde, existem algumas restrições em relação a sua aplicação:
• Em quadros de desordens internas ou mentais (esquizofrenia, fobias, boderline);
• Em quadros de transtornos obssessivo-compulsivos (os indivíduos que têm TOC podem ser muito fechados às experiências novas para tentar a meditação ou, por outro, serem bastante esforçados e conseguirem meditar).
• Em estados emocionais agudos (crises, emergências espirituais);
• Em pessoas que apresentam dificuldade de lidar com o mundo material (lidar com suas obrigações familiares e sociais, apresentam necessidade de fuga, pessoas viciadas em drogas).

Ao iniciar uma prática meditativa é muito importante observar se o tipo de meditação escolhida é adequado a sua personalidade, caso contrário você pode passar por sensações desagradáveis. A busca por profissionais e mestres que atuam na prática com seriedade é fundamental para garantir que sua experiência seja positiva. Segundo Dra. Florence Gaillard, existem alguns indícios de que a prática de meditação está correndo bem. São eles:
• Sensação durável de bem estar;
• Sensação de revitalização;
• Desaparecimento de qualquer sentimento negativo (depressão, medo, sentimento de culpabilidade, inferioridade);
• Profundo sentimento de paz e harmonia;
• Sono mais profundo e reparador após a prática da noite;
• Possibilidade de dormir menos, pois o sono é de melhor qualidade;
• Sonhos mais sadios – a violência, os cenários sexuais tendem a desaparecer;
• Sentimento durável de paz interior;
• Impressão de entender melhor o sentido dos acontecimentos e o objetivo de sua existência;
• Desaparecimento progressivo dos medos e estados depressivos;
• Desenvolvimento da compaixão e da compreensão dos outros, resultando numa diminuição da raiva, da impaciência e dos comportamentos negativos;
• Desenvolvimento gradual do sentimento de felicidade.

Meditar é uma questão de treino. Assim como treinamos nossos músculos para que fiquem firmes e fortes com a prática de exercícios físicos, exercitamos a mente através da prática de meditação. Se você deseja meditar é preciso cuidar de detalhes fundamentais para a prática ocorrer:

• Escolha um local tranqüilo e livre de distrações. De preferência sempre o mesmo local, onde as vibrações da meditação irão se concentrar e facilitar o treino.
 

• Busque uma posição confortável. Geralmente as pessoas meditam sentadas no chão de pernas cruzadas ou na postura de lótus (dorso dos pés apoiados na base das coxas, pernas cruzadas). Se você, de início, se sente desconfortável nestas posições, procure meditar sentado em uma cadeira, sem o apoio das costas no encosto e com a planta dos pés apoiadas no chão.

• Procure escolher um horário para meditar. A meditação realizada no mesmo horário traz disciplina à prática, o que é fundamental para qualquer treino. No início você pode optar por um tempo de permanência menor (cerca de 10 minutos), aumentando gradativamente para 20 a 30 minutos (tempo médio) e 1 a 2 hs (tempo desejável).

Daniel Goleman, autor do livro “Mente Meditativa” traz algumas dicas de meditação que são possíveis de serem realizadas individualmente, pelo aspirante à meditação:
• Meditação sobre a respiração: consciência da respiração. Ao dispersar voltar para este foco.
• Mantra: uma palavra ou som simples que tenha um significado positivo. Repetí-la mentalmente, concentrando-se e evitar dispersões.
• Respiração atentiva: usar as distrações como objeto de meditação. Exemplo: se sua mente se distrair com um som que você ouvir, rotule esta distração de “ouvindo”. Cada vez que tiver rotulado uma distração, trazer a mente de volta à respiração.
• Comer atentivamente: prestar atenção total e cuidadosa a cada aspecto a experiência. Evitar automatismos.
• Andar atentivamente: Tirar o sapato, andar levando sua atenção para o caminhar. Cada intenção também é considerada. Ficar atento às sensações. Ficar presente. Ë melhor começar andando lentamente.

Se você sente que é o momento de iniciar alguma prática meditativa, não deixe para depois. Inicie realizando a prática por pouco tempo, mas diariamente. Levam-se alguns meses para que a construção do hábito seja instaurado, portanto pratique! Não dê vazão aos pensamentos negativos que surgem durante a meditação, apenas identifique-os e os deixe passar. Após algum período de prática já é possível observar os resultados físicos e psicológicos, após mais tempo, a sua relação com a espiritualidade aumenta e finalmente você começa a se encontrar verdadeiramente na prática.

Bibliografia Recomendada
BOGART, M.A. The use of meditation in psychotherapy: a review of literature. American Journal of Psychotherapy, vol. XLV, n. 3, July, 1991.

DANUCALOV, Marcello Árias Dias; SIMÕES, Roberto Serafim. Neurofisiologia da |Meditação: investigações científicas no yoga e nas experiências místico-religiosas: a união entre ciência e espiritualidade – São Paulo: Phorte, 2006.

GAILLARD, Florence. Meditação e saúde. In: Cadernos de Yoga – 6ªed., ano II, 2005.

GHAROTE, Manohar Laxman. (adaptação teórica: Marcos Rojo Rodrigues) Yoga aplicada: da teoria à prática – 2ª ed. São Paulo: Phorte Editora, 2002.

GOLEMAN, Daniel (tradução Marcos Bagno). A Mente Meditativa: as diferentes experiências meditativas no oriente e no ocidente – 5ª ed. São Paulo: Ática, 1997.

IYENGAR, B.K.S. (tradução Marta Silvia Mourão Neto) – A árvore do Ioga: a eterna sabedoria do ioga aplicada à vida diária. 1ª ed. São Paulo: Globo, 2001.

RIBEIRO, Flávia M. Yoga e psique: estabelecendo um diálogo entre os conceitos do yoga e da psicologia moderna ocidental – São Paulo: 2004. 42p. Monografia apresentada para obtenção do título de Especialista em Yoga. UniFMU – SP.

SHREEVE, James. Estado Espiritual. In: O poder da mente: últimas pesquisas da neurociência explicam nossos sentimentos. – Revista National Geoografhic Brasil – Março/2005.

FLÁVIA MAIMONI RIBEIRO -Como Cuidadora do Ser, busca integrar sua experiência profissional com o Yoga, Ayurveda e Psicologia.  Na Cítara Saúde, dedica-se ao trabalho com Psicologia Ayurvédica e Yogaterapia, buscando facilitar o encontro de cada pessoa com sua verdadeira natureza.

Add comment dezembro 1st, 2010

Que idade é essa?

Por Dra. Maísa Misiara

– De que morreu o paciente?
– Do fim da vida!

Assim afirmava em suas aulas meu querido professor de patologia, com a intenção de deixar claro que não precisávamos morrer doentes. Tampouco, precisamos envelhecer doentes.

Com a proximidade da idade avançada, nossas forças de defesa imunológica entram em declínio, aumentando novamente a tendência às infecções, como na infância; vários órgãos involuem, pois a reposição dos tecidos saudáveis torna-se precária.
Se até então tivemos uma vida harmoniosa, o corpo regride num passo lento; mas, caso contrário, muito rapidamente. A verdade é que: como vivemos, assim envelhecemos! Como cuidamos do nosso corpo-mente-espírito nos fará encontrar as consequentes dificuldades em cada uma dessas esferas.

Iniciando-se mais clara e intensamente após os 60 anos, essa etapa é conhecida como a fase vata da vida. Apresenta características em todos nós: secura na pele e no corpo inteiro, desidratação, rigidez das articulações, déficit nas percepções sensoriais e distúrbios dos movimentos.

Quando nascemos, 70% do nosso corpo é formado por água, com o passar dos anos literalmente desidratamos. Parte da água do corpo está presente nos espaços das juntas, nas articulações, lubrificando-as e nutrindo-as como um óleo, facilitando-lhes o movimento. Se há uma diminuição desse líquido, a junta torna-se seca e áspera manifestando toda a gama de sintomas e adoecimentos, de acordo com o seu maior ou menor comprometimento. Levando em consideração a diminuição natural da água geral do corpo com o seu envelhecimento, o problema pode alcançar uma maior dimensão. Dores, rigidez, artrites e outros padecimentos podem se apresentar.

Todos nós sabemos o quanto é importante uma vida saudável e aqui reside um equívoco. Exercícios físicos vigorosos, além de diminuir a água corporal por meio do suor, podem ferir as juntas e desencadear precocemente limitações em nosso sistema articular.

O Ayurveda dá importância aos exercícios, pois estes ajudam na circulação do sangue e na transpiração do corpo, que o desintoxica. Mas, tanto para jovens quanto para mais velhos, o sistema milenar de cura indiana orienta nessas práticas físicas uma medida certa. A pessoa pode exercitar-se com segurança até a metade de sua capacidade. Podemos perceber esse limite, ao sentirmos o inicio do suor na testa, nas axilas e ao longo da coluna vertebral. Com a continuidade, essa resistência aumentará, mas esse cuidado é necessário principalmente tratando-se de pessoas debilitadas ou idosas que buscam melhorar sua saúde.

Como revitalizar nosso corpo?

Tratamentos que se preocupam em suprir perdas isoladas de minerais, ou repor complexos vitamínicos de A a Z, assim como reposições hormonais, acabam por fracassar, pois, além de não contemplarem uma abordagem para o corpo como um todo, deparam-se com a incapacidade do organismo em aproveitá-los, digeri-los.

A compreensão de que se trata de algo mais complexo e abrangente, resultado muitas vezes de uma vida estressante cronicamente, de maus hábitos alimentares, práticas físicas inadequadas e emoções pouco resolvidas, ajuda quando pensamos em revitalização em um sentido amplo, e a terapia de rejuvenescimento, conhecida como rasayana, trás benefícios mais eficazes do que já experimentamos no ocidente.

O rasayana reúne um conjunto de práticas que reintegram o nosso corpo-mente-alma à saúde sempre que possível e um equilíbrio que minimize as doenças, se já instaladas. Reúne uma orientação alimentar, que aqui será nutritiva, bastante hidratante, quente e rica em alimentos que estejam faltando (dieta antivata), somada às práticas de respiração (pranayamas) que tranquilizem e eliminem o estresse e também a exercícios físicos adequados a cada pessoa (Yoga, natação, tai chi…). Além disso, soma-se a essas a meditação.

Esse conjunto de práticas rejuvenescedoras equivale a um belíssimo veículo sem seu condutor, se não compreendermos o significado dessa importante etapa da vida. Quando crianças, o desenvolvimento do corpo ocupa todo o cenário da nossa vida e, durante o amadurecimento, nossas emoções e pensamentos. Agora, em posse desse longo trajeto, entramos em contato com o terceiro tempo, em que podemos refletir o vivido, perdoar o que não transformamos em nós mesmos ou nos demais e dividir com gratidão o que construímos em sabedoria com todos os seres que nos cercam. A idade é essa.

Maisa Misiara
Médica, idealizadora da Clínica Cítara Saúde

Texto publicado no blog Yoga pela Paz em 25/11/2010

Add comment novembro 26th, 2010

O perdao – pela visão da Ayurveda e do Yoga

A culpa é um sentimento tão antigo quanto a história da humanidade. Parece que já nascemos com essa “tatuagem” em algum lugar do nosso ser.  No Ayurveda, quem conhece um pouco as famosas constituiçoes energéticas, chamadas doshas (Vata, Pitta e Kapha), pode imaginá-la em diversas situaçoes; um Vata medroso e inseguro diria: por que tive medo e não fiz o que tinha que fazer? Um Pitta, de temperamento “quente”, diria: Por que fiquei tao irritado e não me controlei? E um Kapha, o mais ressentido dos três, cheio de mágoas: por que não consigo esquecer e me perdoar?

Fato é que, com razao ou não, todos nós sentimos e compartilhamos esse sentimento. O “diferencial divino” entre os seres está em como lidamos com isso, na capacidade de compreender e perdoar, quer seja a nós mesmos ou ao outro. Como vemos e processamos os fatos da nossa vida!

Se olharmos para o presente com peso das marcas do passado, utilizamos um filtro viciado, que turva e obscurece nossa visão, e tudo, então, passa pelo condicionamento dessa lente. Passamos a agir e reagir, de uma maneira diferente do que realmente gostaríamos, e a viver uma vida distinta da que sonhamos viver. Deixamos nossos sonhos e o que é pior, adoecemos. Assim iniciam-se uma série de desajustes orgânicos.

 Essa desconformidade entre o que vivemos e o que nosso Eu profundo, nossa alma, anseia viver, é a origem do adoecimento Vata (medos, inseguranças, problemas articulares e neurológicos); do Pitta (cólera, indignaçoes, hepatites, doenças inflamatórias, hipertensão e problemas cardiovasculares); e do Kapha (apego, depressão, edemas, obesidade, problemas metabólicos e diabetes).

Por sermos parecidos por natureza, mas em essência, tão diferentes uns dos outros, estranhamos as ações que não nos fazem sentido. Magoados, brigamos, nos afastamos. Passamos a Viver uma vida separada não apenas dos inimigos, dos aborrecimentos, como também dos amigos, do que nos traz alegria e de nossas crenças. Deixamos de ver o mundo de forma sadia.

Se retirarmos os óculos das experiências negativas, nossos olhos limpos não restringirão sua visão apenas à realidade criada pela mente, mas sim, perceberão a verdade da nossa realidade. Olharemos em essência. Seja justo ou não o que tenha nos acontecido, é possível renovar e reescrever uma nova mensagem.

A proposta do Yoga e do Ayurveda é simples e transformadora: Somos recriados a todo o momento, corpo e mente. Escolher com sabedoria o que nos formará, está em nossas mãos.  Desintoxicá-los e nutri-los com alimentos e hábitos adequados à nossa constituição; viver com o foco em cada ato singular e com a atenção plena no que está acontecendo são os ensinamentos dessa milenar arte de curar.

 A escolha livre de paradigmas do passado reescreve um novo caminho; como diz o texto bíblico, seguir sem olhar para trás!  Isso significa, perdoar. Nossos registros de sofrimento podem ser mudados.

As práticas de meditação e pranayamas ajudam a ampliar e renovar a nossa percepção e consciência. Respirar e relaxar! Respirar é trazer para nosso sangue um novo fluxo de oxigenio, um novo fluxo de pensamentos e de vitalidade. Assim como o ar entra e sai, o que não é mais necessário pode sair e o novo entrar.

Perdoar não apenas deixa-nos livres de doenças e das amarras emocionais do passado, mas traz à vida o perfume e o frescor do tempo presente.

 Maisa Misiara – Médica Homeopata, Ayurveda. Docente do Instituto de Cultura e Escola de Homeopatia, responsável pela Clínica Cítara Saúde.

Add comment outubro 21st, 2010


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