Panchakarma

março 2nd, 2010

A “tecnologia” ancestral da medicina indiana.
Panchakarma, palavra sânscrita que significa literalmente cinco ações, é um tratamento que tem sua origem no Ayurveda, medicina milenar, sistema de tratamento vigente na Índia e que se originou nos Vedas,um dos registros mais antigos do conhecimento da humanidade.


Podemos traduzi-la como cinco processos a serem realizados com o objetivo de prevenção ou cura de doenças por meio da redução (eliminação de toxinas) e tonificação dos tecidos, restabelecendo o equilíbrio físico e emocional.
O sentido desse tratamento que a antiga sabedoria dessa medicina nos ensina é que, como premissa, devemos antes desintoxicar nosso corpo e nossa mente, para depois nutri-los com perfeição. Limpo, nosso organismo consegue absorver os nutrientes e vitaminas que lhe são oferecidos e que, em caso contrário só aumentariam sua intoxicação e desequilíbrio.
Se o corpo está intoxicado, não temos vitalidade e resistência para seguir a vida. A má digestão, insônia, gases, sensação de queimação, retenção de líquidos pioram a disposição psíquica.
Por outro lado, condições psíquicas tais como a dispersão, medo, insegurança, raiva, letargia, depressão, por sua vez agravam os incômodos orgânicos.
Com a mente obscurecida não temos clareza para fazermos as escolhas certas e transformá-las em atitudes que nos permita viver uma vida plena.
 
Esse círculo vicioso pode ser interrompido com o tratamento ayurvédico.
O Panchakarma ajuda a eliminar as toxinas que são acumuladas pela ingestão de alimentos que contêm agrotóxicos, como o arsênico nos herbicidas e pesticidas; o chumbo contido na fumaça dos caminhões e tintura dos cabelos; o cádmio na fumaça dos cigarros; o mercúrio nas águas que bebemos; o uso abusivo de remédios, quimioterápicos, os contrastes utilizados nos tratamentos médicos, somam uma quantidade de toxinas heroicamente toleradas pelo nosso organismo. Irritamo-nos pelo excesso de estímulos, trabalhamos em demasia, corremos contra o tempo, competimos, vivemos o hábito do excesso, que também geram toxinas.
Mas o Panchakarma é mais do que um tratamento “detox”, pois, além de eliminar as toxinas, nutre e tonifica imediatamente o organismo, restaurando a vitalidade dos órgãos, a jovialidade emocional, o rejuvenescimento de dentro para fora num sentido amplo e não meramente estético.
A grande crítica aos tratamentos de “detox”, que estão se popularizando rapidamente, é porque eles podem levar à desvitalização dos tecidos do nosso organismo, pela retirada pouco cautelosa e indiscriminada de seus elementos tóxicos e também não tóxicos, sem o cuidado em avaliar seu limite, prepará-lo e subseqüentemente, nutri-lo adequadamente.
 
Na prática, o Panchakarma tem cinco processos tradicionais:

– Vamana ou vômito terapêutico (elimina as toxinas acumuladas no estômago);
– Virechana ou diarréia terapêutica (elimina as toxinas acumuladas no fígado e intestino delgado);
– Basti, para limpeza intestinal;
– Nasya, tratamento através das narinas (a porta de entrada do cérebro), que limpa os seios da face;
– Rakta mokshana, limpeza do sangue;

Previamente é realizado um diagnóstico médico para definir qual o tratamento mais adequado e que respeita a totalidade do indivíduo. Avalia-se a possibilidade de uma patologia instalada, além das características psicofísicas da pessoa. A idade, clima onde mora, resistência, estação do ano são também levados em consideração.
Cada paciente terá uma recomendação individual de acordo com esse conjunto de dados e, não necessariamente será submetido aos cinco processos de limpeza.
Entretanto há algumas etapas que são comuns aos tratamentos:
– A pessoa deve seguir uma dieta preparatória de desintoxicação, que aumenta o “fogo digestivo”, ou seja, aumenta a capacidade do corpo de metabolizar as toxinas acumuladas e o prepara para a etapa seguinte.
– São aplicadas massagens ayurvédicas para a mobilização de toxinas que estão presas nos tecidos e sua condução para as vias de eliminação naturais.
– Nutrição e Revitalização – Uma vez desintoxicado, começa o verdadeiro tratamento de saúde. Desenvolve-se nesta etapa, uma nova rotina diária que inclui: orientação alimentar adequada à constituição individual, práticas de respiração (pranayamas), e práticas físicas (yoga).
A escolha de ervas e óleos também é individual e decorrente daquele levantamento e diagnóstico feito pelo médico. Por exemplo: óleos como o de gergelim puro, que é extremamente nutritivo para quem está desvitalizado; óleo de côco, mostarda, combinados com óleos essenciais como, lavanda, gerânio (ervas medicinais que têm efeitos tônico, nutritivo e imunizantes).
As reações de um Panchakarma corretamente administrado são: sensação de leveza, paz, bem estar, agilidade, calma, disposição, alegria, bom humor, vitalidade. Porém, de acordo com o grau de intoxicação que a pessoa tenha, podem ocorrer reações como enjôos, desarranjos leves gastrointestinais, tonturas; reações que são passageiras e previsíveis. Por isso mesmo, esse tratamento deve ser prescrito e acompanhado por um médico experiente em Ayurveda.
O objetivo do tratamento é de limpar os tecidos e revitalizá-los, o que é sinônimo de eliminar a água em excesso e diminuir gorduras que se acumulam em algumas partes do corpo devido à obstrução dos canais que as alimentam. A maioria das pessoas que se submetem ao tratamento de fato emagrecem, como conseqüência do equilíbrio alcançado pelo organismo. Porém, em alguns casos isso não ocorre.
 
Seria um erro, buscar tal tratamento primordialmente pela expectativa de emagrecer. O correto é procurá-lo pelo
benefício de revitalização e saúde que conduz ao verdadeiro rejuvenescimento.
 
Nem todo mundo pode submeter-se ao Panchakarma. Existem restrições e contra-indicações: na gravidez, imediatamente após o parto, em idosos debilitados, crianças, pessoas com anemia severa, e em algumas doenças graves. As reações ao tratamento variam de pessoa a pessoa, entretanto, são particularmente eficazes em casos de obesidade, diabetes, hipertensão, dores articulares, distúrbios metabólicos.
Na Índia, o Ayurveda é um sistema de medicina convencional praticado na rede hospitalar pública e em hospitais universitários. Esse sistema é acessível a toda a população, principalmente às camadas mais baixas.
No Brasil ainda está restrito à rede particular, porém seu custo é perfeitamente acessível à classe média. O tratamento é aparentemente mais caro do que um tratamento convencional, porque exige a intervenção de uma série de profissionais especializados: o médico, o terapêuta que aplicará os procedimentos e as massagem, o especialista em nutrição, e a prática de Yoga que é recomendada. Mas o custo benefício é altamente compensador, pois diminui a dependência de remédios e hospitais.
 
A Ayurveda já conhecida há algum tempo no Ocidente, está se popularizando rapidamente. O que os ocidentais estão descobrindo é algo que milhões de pessoas na Índia já sabem há muito: o tratamento funciona e traz saúde.

Por: Dra Maisa Misiara, médica Homeopata e Ayurvédica, responsável pela Clínica Cítara Saúde em São Paulo; Docente do Instituto de Cultura e Escola de Homeopatia.

Colaboradora: Marise Berg – terapeuta ayurvédica especializada em Rasayana
(rejuvenescimento)

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