“Abra seu coração, abra seu sentimento, abra seu entendimento, deixe de lado a razão e deixe brilhar o sol escondido em seu interior”.
A culpa e a dificuldade de perdoar, segundo o Yoga e o Ayurveda, estão diretamente relacionadas ao desequilíbrio do quarto chackra (chamado de Anahata) da nossa antomia sutil. Os chackas são como filtros que nos permitem trocar informações, sentimentos e impressões com o exterior e, por sua vez, recebem as impressões vindas do mundo.
O quarto chackra, também conhecido como cardíaco governa sutilmente o coração, sistema circulatório, pulmões, ombros e braços, costelas e seios, diafragma e tem sua correspondência bioquímica com a glândula timo.
Timo vem de tymus, palavra grega que quer dizer energia vital. Esta glândula está bastante ativa na primeira infância e vai gradativamente diminuindo suas funções ao chegar à maturidade. Quando esta glândula está ativa o organismo não envelhece. O timo é um dos pilares de sustentação de nosso sitema imunológico, juntamente com as glândulas adrenais. É extremamente suscetível às emoções como o amor ou o ódio.
Estudos psicológicos diversos pesquisaram o impacto que nossos relacionamentos têm no sistema imunológico e concluiram que compartilhar sentimentos e situações que nos incomodam podem ter um impacto bastante positivo sobre nossa imunidade. É preciso desenvolver as qualidades positivas do quarto chackra que são amor incondicional e a compaixão. Para que o amor seja despertado, é necessário curarmos as feridas emocionais (mágoas) através do perdão e da liberação do passado e suas influências no presente.
A prática de Yoga pode ser bem benéfica para iniciarmos um processo de liberação das emoções reprimidas. Algumas sugestões de prática:
USTRASANA – postura do camelo (Ustra = camelo)
- Ajoelhe-se e fique com joelhos e pés unidos, peitos dos pés apoiados no chão com os dedos relaxados;
- Encaixe o quadril, deixe o abdômen firme e a coluna ereta;
- Apóie as mãos espalmadas na base da coluna, parte posterior do quadril;
- Leve os ombros e cotovelos cada vez mais para trás com a intenção de aproximar os cotovelos;
- Mantenha o quadril na mesma linha que os joelhos, não projete o quadril para frente ou para trás, fixando-os;
- Ainda com o quadril encaixado, contraia glúteos e abdominal, incline o tronco para trás e aponte seu queixo para cima;
- NÃO projete o quadril para frente com a pressão das mãos;
- Apóie as duas mãos espalmadas na sola dos pés, abrindo ainda mais o peito, apontando-o para cima;
- Caso tenha dificuldade nesta etapa, tente as seguintes alternativas:
- Afaste um pouco os dois joelhos um do outro;
- Apóie as mãos nos calcanhares;
- Apóie as mãos nos calcanhares com os dedos dos pés virados para o chão;
- Se ainda for difícil, pule os passos 8 e 9;
- Intenção de crescer a coluna e o pescoço para cima e para trás;
- Mantenha a postura estável e confortável;
- Concentre-se em respirações profundas e tranqüilas (5 a 12 respirações no início);
- Finalizando: com a força dos pés e joelhos empurrando o chão, volte o apoio das mãos na base da coluna, leve o tronco na mesma linha que o quadril, voltando para a posição vertical.
- Para descansar, leve o quadril na direção dos calcanhares, testa na direção do chão e braços ao longo do corpo.
- Evite esta postura se estiver com problemas intestinais, pressão alta, dor de cabeça ou se for cardíaco;
- Fique atento à posição do quadril e das pernas, o mais importante na postura é mantê-los estáticos enquanto a inclinação ocorre somente na parte superior do corpo;
- Proteja a sua lombar mantendo o encaixe do quadril a todo o momento;
- À medida que inclina o tronco para trás, cresça a coluna. Tanto a parte posterior como a anterior do tronco devem estar alongadas.
Caso sinta desconforto na coluna torácica ou lombar, diminua a inclinação do tronco para trás.
- Efeitos benéficos da postura:
- Diminui a rigidez das costas, ombros e tornozelos, mantendo a coluna flexível e saudável;
- Alonga da região anterior dos braços e do corpo;
- Fortalece o sistema imunológico;
- Abre o coração, mantendo a disponibilidade e a entrega para as relações afetivas.
UJJAYI (Ud = para cima, de nível superior, soprar, expandir, proeminência, poder; Jaia = conquista, vitória, triunfo, sucesso, coerção, restrição) – respiração onde os pulmões são completamente expandidos e o tórax se torna dilatado como o de um orgulhoso conquistador
- Sente-se confortavelmente em Sukhasana (pernas cruzadas) ou numa cadeira, com a coluna ereta, olhando para frente;
- Durante uma expiração prolongada, murmure a palavra haaaaa de forma que esta respiração produza um ruído de leve fricção ao passar pelo palato (entre a boca e a garganta); é um som semelhante ao de embaçar um vidro, ou ainda o som que ouvimos no interior de uma concha.
- Experimente fazer com os lábios abertos e quando estiver sentindo a vibração suave do som na pate de trás da garganta, passe a fazer a respiração de lábios fechados.
- Sentindo facilidade, experimente produzir o mesmo som ao inspirar.
- Complete o ciclo da respiração – inspiração, pausa com o ar nos pulmões e expiração – repetidas vezes. O tempo deve estabelecer uma proporção de 1:2:2, ou seja, se for inspirar em 4 segundos, retenha 8 e exale 8 segundos.
- Esta prática deve ter a duração média de 15 minutos.
- Observe se o som de sua respiração é seco como o vento e oco e não anasalado.
- As narinas devem estar relaxadas (não puxe o ar com força, deixe a respiração acontecer naturalmente).
- Algumas pessoas conseguem realizar esta respiração com facilidade, outras levam mais tempo para aprendê-la. No entanto, não desanime. Faça quantas respirações precisar com os lábios abertos até conseguir!
- Não faça se estiver com irritações ou inflamações na garganta.
- Acalma a mente e os sentidos;
- Traz leveza, bem estar e tem efeito energizante;
- Promove tranquilidade e, ao mesmo tempo, força para lidar com as adversidades da vida.
- Efeitos benéficos deste pranayama:
- Acalma a mente e os sentidos;
- Traz leveza, bem estar e tem efeito energizante;
- Promove tranquilidade e, ao mesmo tempo, força para lidar com as adversidades da vida.
FLÁVIA MAIMONI RIBEIRO – psicóloga, instrutora de Yogaterapia e Terapeuta Ayurvédica. Busca integrar os conhecimentos da saúde milenar do Yoga e do Ayurveda com a ciência moderna ocidental.
outubro 21st, 2010

A Ayurveda tem uma visão exclusiva sobre a constituição psicofísica dos seres humanos. São reconhecidas cinco forças da natureza que se combinam dinamicamente para formar o nosso organismo: éter (ou espaço), ar, fogo, água e terra. Esta combinação, chamada Prakritti (ou dosha), organiza todas as funções físicas, mentais e emocionais necessárias para a vida.
Descobrir a nossa prakritti é uma oportunidade para entendermos melhor a nossa individualidade. Ao nos familiarizarmos com a nossa natureza, aprendemos a nos manter em harmonia, conquistando uma vida equilibrada, bem estar e saúde.
A dieta adequada – um dos principais pilares da boa saúde – depende dessa compreensão. Tudo o que somos é o resultado da síntese dos alimentos físicos e/ou energéticos que ingerimos. Eles fornecem para o organismo o material necessário para o processo metabólico que nutre a vida. São os melhores medicamentos. Quando são adequados para o nosso corpo e devidamente digeridos, contribuem para nos tornar saudáveis. Quando a dieta não é compatível com a nossa constituição individual, sofremos de desequilíbrios físicos e psicológicos. Nossa saúde, nosso peso ideal, nossa estabilidade emocional, nossa acuidade mental e nosso bem estar geral dependem do que conseguimos e do que não conseguimos digerir.
Mas, tão importante quanto a quantidade e a qualidade dos alimentos que ingerimos é o “por que” da nossa alimentação.
Um plano de Consciência Alimentar começa ao desligar o “piloto automático” que vem nos guiando ao longo da vida moderna e instalar a atenção plena. Devemos prestar atenção à potência da nossa fome, à quais alimentos nos caem melhor, qual é a quantidade de alimento que nos satisfaz e qual o sabor que mais nos convém.
Estou com fome? Do que me alimento? Por que estou comendo? O que estou comendo? Estou feliz? Triste ou ansioso? Como eu me sinto em relação à minha alimentação?
A Consciência Alimentar é um poderoso instrumento para a manutenção da boa saúde e também para quem quer perder ou ganhar peso. Ela é um “farol” que já existe dentro de nós. Só precisamos despertá-la. Vamos usá-la para iluminar a nossa vida a cada momento! Dessa forma, vamos encontrar o verdadeiro sabor da vida. Isso não vai nos ajudar somente a conquistar o bem estar físico – vai trazer à superfície a compreensão da riqueza e abundância da vida.
Marise Berg - Terapeuta Ayurvedica dedicada à prática da Alimentação Natural Ayurvédica e de Rasayana (rejuvenescimento). Formada pela Escola Yoga Brahma Vidyalaya – Fundação Sri Vájera e CIYMAM (curso creditado pela International Academy of Ayurveda – Índia); com extensões em Rasayana (rejuvenescimento) pela Kerala Ayurvedic Chikitsalayam – Pune, Índia; em Ayurveda pela Vishwanath Panchakarma Centre – Rishikesh, Índia; e em Nutrição Ayurvédica pela International Academy of Ayurveda – Pune, Índia. Atualmente cursando a graduação em Nutrição no Centro Integrado São Camilo, São Paulo.
setembro 6th, 2010
O que são os chakras
A palavra chakra vem do sâncrito e significa roda. Chamada algumas vezes de rodas de luz. Estão presentes na estrutura energética humana, como grandes centros de força. Captam o prana, que é a energia do céu e da terra, guardam, transformam, distribuem para o corpo e o devolvem, no caminho inverso, para a mesma fonte.
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Saudáveis, essas rodas, como vórtices, giram numa velocidade, fazendo com que o prana circule adequadamente. Mas diante de mudanças no fluxo de energia, ficam bloqueadas ou inibidas, o que resulta em desequilíbrio, envelhecimento ou mesmo doença.
São sete, os chakras principais, alinhados e conectados entre si, desde a base da coluna vertebral até o alto da cabeça. Cada um corresponde a uma das sete principais glândulas endócrinas do corpo humano e têm, além disso, funções físicas, emocionais e espirituais, pois guardam as experiências e informações pessoais.
Como perceber o desequilíbrio dos chakras
Todo ser humano, tem que sobreviver sem a sensação de algo que ameace a vida, ter o sentimento de proteção, desenvolver a identidade e auto-estima, gerar filhos, conquistar realizações, amar, ser amado e viver uma sexualidade saudável e integrada.
Quando há um exagero na necessidade, um padrão rígido e, a vida passa a ser totalmente voltada para uma das necessidades acima, surge o adoecimento energético. A manifestação dos sintomas orgânicos patológicos é apenas uma questão de tempo.
O caminho da evolução da consciência
Esses padrões devem ser transformados, para ter-se maior liberdade e possibilidade de equilíbrio do corpo e das emoções.
O funcionamento harmônico dos chakras, permite o fluxo ascendente da circulação da energia, livre de obstáculos, em direção a um maior discernimento, amorosidade e sabedoria, que é sinônimo de uma plena saúde física, psíquica e emocional.
Os sete chakras e sua natureza
Chakra Básico – MULADHARA
Localizado na região do cóccix e períneo. Controla o sistema gênito-urinário.
Gera nosso instinto de sobrevivência e os medos relacionados quando há perigo contra a vida. Quando saudável, sabe-se o que quer e como fazer. A pessoa é dinâmica, ativa e segura de si.
Chakra sexual – SVADHISHTHANA
Localizado abaixo do umbigo. Controla o sistema genito-urinário e o reprodutor.
Fala do novo, do criativo, da procriação, da identidade própria, da auto estima.
Saudável, é responsável pela saúde geral do organismo. Quando enfraquecido, este chakra, priva ou altera a sexualidade
Chakra umbilical – MANIPURA
Localizado ao redor do umbigo. O chakra do plexo solar, relacionado com o sistema digestivo.
A energia penetra em todo o corpo físico por essa região. No útero, recebe-se o alimento pelo cordão umbilical. Agora a energia da vida penetra na forma de impressões e interações com o mundo.
Ligado à assimilação das coisas da vida, ao apego, desejos e ambições, poder e do controle.
Chakra cardíaco – ANAHATA
Localizado no centro, na altura da linha dos mamilos.
Controla o coração físico. Fala da inteligência emocional, o que faz com que a reação diante das coisas seja feita com sabedoria. Em equilíbrio, a pessoa não se deixa levar pelas emoções. Em desequilíbrio, torna-se muito emocional É uma ponte entre as razoes do corpo e da mente. Fala do amor maior, da compaixão e da imunidade.
Chakra laríngeo – VISHUDDHI
Encontra-se na área da garganta onde estão as cordas vocais, a tireóide.
Confere quando saudável o poder da comunicação e grande capacidade de expressão dos sentimentos e pensamentos. Dá origem ao dom da palavra, a sabedoria. Caso contrário, sensação de falência na capacidade de se expressar, apatia, tristeza, fraqueza das funções físicas e psíquicas.
Chakra frontal – AJNA
Localizado entre as sombrancelhas. Controla as funções da hipófise que dirige e coordena as demais glândulas, rege o equilíbrio fisiológico e as atividades intelectuais. É o chakra do intelecto, o discernimento da realidade. Tem a ver com a visão, compreensão e entendimento. É o chakra da intuição, o terceiro olho.
Chakra coronário – SAHASRARA
Localizado no alto da cabeça. Relacionado com a glândula pineal, tem o controle total de todos os aspectos do corpo e da mente. É o chakra da ligação com a energia espiritual, da auto realização e extase.
A medicina ayurvedica e o tratamento dos desequilíbrios dos chakras
Conhecer o estilo de vida, os pensamentos, sensações e sentimentos de quem procura um médico ayurvédico, faz parte do diagnóstico e tratamento dessa milenar arte de curar.
As doenças que já se manifestaram no corpo são tratadas com métodos suaves ou intensos de desintoxicação que incluem dietas, massagens e ervas medicinais.
As alterações que se manifestam nas sensações, pensamentos e emoções e, que antecedem o aparecimento dos primeiros sintomas físicos, são perceptíveis e tratáveis com métodos sutis que reequilibram o funcionamento dos chakras, prevenindo o aparecimento dos males físicos e devolvendo o bem estar.
A abordagem terapêutica sutil
Um conjunto de orientações é prescrito de acordo com a peculiaridade de cada caso. Dentre elas encontramos:
- A orientação terapêutica de impressões sensoriais adequadas para o restabelecimento dos sentidos por meio de estímulos da natureza.
- Pranayamas ou respirações próprias e dirigidas a cada desequilíbrio. Acalmam a agitação da respiração, que perturba a mente e os sentidos. Purificam o canal sutil (sushuma) que controla as funções dos chakras.
- Mantras são sons ou palavras energizados de modo especial, que libertam a mente do seu condicionamento. A vibração dos sons, apropriada e particular para cada chakra traz sua harmonia.
- Cores tem efeitos apaziguadores e estimulantes. Cada cor tem afinidade e propriedade terapêutica por um chakra
Podemos resumir no seguinte quadro:
Muladhara – som: LAM – cor: vermelho
Svadhishthana – som: VAM – cor: alaranjado
Manipura – som: RAM – cor: amarelo
Anahata – som: YAM – cor: verde
Vishuddha – som: HAM – cor: azul celeste
Ajna – som: SHAM KSHAM – cor: azul indigo
Sahasrara – som: AUM – cor: violeta
-A meditação é também usada como tratamento, pois acalma a mente e assim reequilibra meditação todo o sistema orgânico e psíquico.
A melhoria apenas dos sintomas que levaram o paciente ao médico é insuficiente. O bem estar deve ser conquistado de forma permanente e para isso, a chave de acesso à manutenção da saúde, necessita ser a ele devolvida.
Observar o próprio corpo todos os dias, aprender a reconhecer os sinais de desarmonia , os incômodos orgânicos, os pensamentos e sentimentos alterados é o início do processo de cura.
Dra Maisa Misiara, médica Homeopata e Ayurvédica, responsável pela Clínica Cítara Saúde em São Paulo; Docente do Instituto de Cultura e Escola de Homeopatia.
março 2nd, 2010